A vida passou. A estrada por onde andei mudou. Algumas curvas já não existem. Nem a venda ou a pensão.
A serra, o trator poderoso cortou, e hoje ela é apenas uma leve ladeira inofesiva. Lá se foram, tragadas pelo tempo, a moça que ficava na janela vendo a vida passar, a velha oficina, os moleiros, o bordel, o velho postinho no meio do retão empoeirado, a grande árvore centenária, refúgio nos dias de muito sol, e os pássaros, que mariscavam no meio da estrada. Os amigos se foram. Mortos-matados-morridos ou apenas partiram para não sei onde, levados pelo tempo e pela vida.
Enquanto viverem, e se vivem ainda, vão conviver com a lembrança, a saudade da estrada e dos caminhões que amaram, assim como eu, velho caminhoneiro que hoje viaja na saudade do tempo, vendo a estrada pelos olhos cansados e marejados.
Sem o caminhão e a estrada, o caminhoneiro é como um pássaro sem asas. Fico então imaginando se o tempo pudesse voltar e com ele a mocidade e a vontade de ir longe, de conhecer lugares e gente, de nunca esmorecer e lutar contra as adversidades para chegar ao destino. Então, nem que fosse apenas por um instante, o velho caminhoneiro voltaria à boléia encantada do seu caminhão, feliz por viajar novamente por todos os caminhos do seu viver...
Homenagem da esposa, filho e neto.
Sepultamento será hoje, dia 5/04/2012, às 11 horas, no Cemitério de Patrocínio Paulista.