Os espaços são muito importantes em nossa vida. De forma geral, eles são sempre muito simbólicos, transformando a arquitetura em uma verdadeira linguagem. Conforme estruturados e desenhados, podem significar poder, status e riqueza, mas também podem denotar pobreza, ausência e esquecimento. Esses significados, obviamente, vão depender da forma como construímos esses espaços, o que está relacionado, consequentemente, com a maneira como os percebemos e a importância que damos a eles.
No caso específico da educação, se olharmos para os grupos escolares construídos entre o final do século XIX e o começo do século XX, vamos perceber a força que a educação tinha naquela época. Prédio suntuoso, geralmente construído no centro da cidade, muitas vezes no entorno da praça central. Pé direito alto, janelas amplas, salas grandes e bem arejadas, laboratórios bem equipados, biblioteca grande e cheia de livros, anfiteatro e uma área externa limpa e bem cuidada.
Mesmo que ainda não fosse uma educação para todos, uma vez que a grande maioria da população estava alijada desse processo, é possível perceber a importância da educação para aquela sociedade. Só de olhar para os prédios, quem não tinha acesso às escolas já ficava com vontade de adentrá-las.
Em contraposição, se olharmos para os prédios escolares que são construídos hoje em dia, vamos experimentar uma sensação totalmente diferente. Os edifícios são feios e mal acabados. As salas são pequenas e abafadas. A biblioteca praticamente inexiste e os laboratórios, quadras e outros equipamentos estão sempre em mau estado de conservação.
Ao contrário do que acontecia antigamente, essa arquitetura pobre deixa entrever a pequena relevância da educação em nossa sociedade atual. Hoje as crianças mal olham para a escola. Algumas, ou muitas, talvez, nem gostariam de estar nela, justamente em um momento em que colocamos todas as crianças na escola.
Nesse sentido, torna-se bastante significativa a matéria publicada por este Comércio na terça-feira, 27/03, a qual mostra uma escola que há dois anos se encontra completamente abandonada. O prédio, que já era feio e pouco atrativo, está aos poucos se transformando em um monte de lixo e entulho. Com janelas e vidros quebrados, quadra tomada pelo mato e alambrado arrombado, entre outras avarias, aquilo que era para ser uma casa do saber serve agora aos pombos e aos drogados.
A despeito das razões que levaram a Prefeitura a fechar as portas dessa escola, o que fica evidente é o pouco caso com a educação. Em um país com tantos problemas na área educacional, abandonar uma escola às intempéries do tempo é no mínimo inconcebível.
É claro que toda essa comparação é simbólica. Mas os símbolos são fundamentais em nossa vida. Da mesma forma que preferimos um carro novo, com design diferenciado, nossos alunos também gostariam de uma escola bonita, simbolicamente diferenciada.