09 de julho de 2026

Cheiro de resíduos dos curtumes volta a atormentar os francanos


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TRATAMENTO - Homem observa lagoa de resíduo em curtume do Distrito Industrial. Após tratamento primário nas empresas, o dejeto é enviado a uma lagoa secundária que, segundo a Cetesb, está sobrecarregada e é a causadora do mau odor

Um velho conhecido dos francanos voltou a incomodar a população: o odor dos curtumes. A reclamação de moradores de bairros próximos ao Distrito Industrial levou a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) de Franca a notificar a gerenciadora dos curtumes - a Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins do Distrito Industrial).

A criação do Distrito Industrial na década de 1980 centralizou os curtumes, que antes eram instalados em diversos pontos da cidade. Para a mudança, os empresários tiveram que instalar equipamentos ambientais e investiram mais de 10 milhões de dólares para o controle de resíduos e melhoria da qualidade do ar.

Mas o investimento passado começa a dar sinais de que foi superado. “A população tem razão. Nós temos tido nos últimos dias inúmeras reclamações de odor. Estivemos no local em três oportunidades nessa última semana e constatamos o odor característico do curtume, além dos limites do Distrito Industrial”, disse o diretor regional da Cetesb de Franca, Francisco Setti.

O engenheiro Ricardo Teixeira Pinto, 67, morador do Residencial Amazonas, se diz incomodado com o cheiro forte. “Constantemente esse cheiro paira aqui no bairro. É um cheiro desagradável. Essa semana, por exemplo, tive ânsia de vômito, acordei às três da manhã muito mal, com dor de cabeça. Minha mulher e minha filha também. É um bairro que está nascendo e já está sendo desvalorizado por esse motivo.”

Moradores de outros bairros próximos ao Distrito Industrial também reclamam do odor. Trabalhador da construção civil, Adriano Francisco dos Santos, que mora no Jardim Esmeralda, disse que o cheiro se intensifica no final da tarde. “Minha mulher está grávida e tem passado muito mal por causa do cheiro forte e foi parar no hospital. Agora ela está na casa dos pais, em Restinga, porque aqui não dá para ficar. Já pensei até em me mudar de cidade. Quando chove, eu passo mal também, porque aqui o cheiro fica muito forte.”

O mau cheiro é causado pelo gás sulfídrico gerado no processo de tratamento do couro. O gás tem odor de ovo podre, característico dos curtumes. “Esse cheiro realmente não é o cartão de visita desejado pela cidade”, afirma Setti.

O PROBLEMA
De acordo com o engenheiro do curtume Della Torre, Eduardo de Almeida Conrado, o tratamento dos resíduos dos curtumes é realizado em duas etapas. O primário acontece dentro das próprias empresas. Já o tratamento secundário é feito em conjunto com os demais curtumes na Amcoa.

O diretor regional da Cetesb, Francisco Setti, diz que o problema está no tratamento secundário. Segundo ele, o sistema está sobrecarregado.

Para resolver o problema do mau cheiro na cidade, a Cetesb e o Ministério Público solicitaram das empresas um estudo para readequação do tratamento. “O sistema escolhido para redimensionar, pelos dados teóricos, tem tudo para funcionar, fazer uma readequação e se livrar definitivamente do problema do odor”, disse Setti. “Estamos tomando as medidas necessárias e administrativas. Mas sabemos que só terá solução com a implementação dos projetos que os curtumes estão fazendo para readequação do tratamento secundário.”

Segundo o diretor da Cetesb, a Amcoa poderá ser multada caso não tome medidas efetivas para resolver o problema.

O Comércio tentou contato durante toda a tarde de ontem com o gestor executivo da Amcoa, Cesar Barros, mas, segundo disse a atendente em todas as ligações, ele não estava e voltaria mais tarde.