08 de julho de 2026

Nova avaliação


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Diz o velho ditado que ‘vassoura nova varre bem’. Em política, ele ganha ainda mais destaque, pois quando alguém assume um novo cargo, logo pensa em deixar sua marca, eventualmente prejudicando a continuidade daquilo que já estava em andamento e que, obviamente, sempre precisa ser controlado, mensurado e corrigido.

Mal começou sua jornada frente ao Ministério da Educação e o ministro Aloísio Mercadante já vem com uma nova avaliação nacional. O objetivo é medir o grau de alfabetização dos alunos dos primeiros anos do ensino fundamental.

A idéia não seria ruim, caso já não houvesse uma prova que busca fazer exatamente isso, a Provinha Brasil. Apesar da mensuração de resultados ser uma prática fundamental para se melhorar a eficácia de todo o projeto de gestão, seu excesso também acaba sendo prejudicial ao processo.

No final do ano passado, segundo relatos de professores e dirigentes educacionais, os alunos de Franca passaram boa parte de novembro às voltas com exames e avaliações. A Provinha Brasil, o Saresp em nível estadual e o Avalia no âmbito municipal. Foram três provas em um mesmo mês, uma quantidade que já é bastante expressiva.

Nesse sentido, talvez fosse mais interessante para o país que o novo ministro se contentasse em melhorar o que já tem, ao invés de querer ‘inventar’ novos procedimentos. Nas palavras ministeriais, publicadas por este Comércio na terça-feira, 20/03, a Provinha Brasil seria apenas amostral. Segundo Mercadante, esse novo exame iria verificar a qualidade do letramento.

Pode até ser que na semântica essa nova proposta empolgue, mas na prática não conseguirá ir muito além do que já fazem os outros exames. Além disso, não é preciso ir muito longe para perceber que a qualidade desse letramento está muito ruim e que boa parte de nossos alunos lê e escreve muito mal.

Todos os outros exames, inclusive os internacionais já mostraram essa triste faceta de nosso sistema de ensino atual.

Nesse sentido, é importante que o ministro deixe de lado esse costume de nossas tradições políticas e não se empenhe tanto em criar mais um exame que vai apenas servir para dar um toque especial em sua gestão. Seria melhor que ele concentrasse sua equipe em melhorar os exames que já estão em vigência e que ainda precisam de muitos acertos para se tornarem realmente eficazes.

Além disso, mais um exame para constatar o que já está óbvio é um desperdício de dinheiro público, um montante que poderia ser bem melhor aproveitado se fosse direcionado para outras necessidades do mundo educacional. A própria qualidade do ensino, por exemplo.