10 de julho de 2026

Após as denúncias, promotor tenta manter rotina no Fórum


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NA DEFESA - Promotor Paulo Borges nega que tenha postado cartas anônimas com denúncias contra magistrado

A notícia publicada pelo Comércio da Franca sobre a sentença em que o juiz de Direito José Rodrigues Arimatéa acusa o promotor Paulo Borges de forjar denúncia anônima com o objetivo de justificar a abertura de uma investigação contra membros do Judiciário pautou os assuntos na cidade ontem. Enquanto os comentários se propagavam, os dois personagens centrais procuravam manter suas rotinas inalteradas.

O promotor Paulo Borges despachou em seu gabinete no período da tarde, como faz habitualmente. Recebeu manifestações de apoio de amigos e colegas de trabalho, atendeu a imprensa mas preferiu não gravar entrevistas. Sua mesa de trabalho ficou cheia de pastas com inquéritos em andamento e de papéis que pretende usar em sua defesa. Guardou recortes com reportagens do Comércio, cópias da sentença, fotos da perícia e comprovantes de que foi à agência dos Correios no dia 16 de novembro do ano passado para tirar o CPF dos filhos.

Embora nenhum procedimento tenha sido aberto contra ele na Procuradoria Geral de Justiça, órgão ao qual está subordinado, Borges pretende se antecipar e enviar os documentos relativos ao caso para os seus superiores nos próximos dias. Apesar de visivelmente abatido, reafirmou a intenção de seguir trabalhando na mesma linha e disse que sua atuação não será inibida.

Arimatéa chegou logo pela manhã ao Fórum. A quinta-feira era dia de presidir julgamento. Antes de seguir para o Salão do Júri, uma parada para ler o jornal. Ficou surpreso com sua foto estampada na capa do Comércio da Franca.

Antes de iniciar o julgamento, o juiz surpreendeu jurados, advogados e público em geral ao fazer um rápido comentário sobre a notícia que começava a tomar conta da cidade. Disse que as informações publicadas eram referentes ao procedimento administrativo que abriu no fim do ano passado para apurar os fatos narrados na carta anônima. Teve o cuidado de afirmar que não foi o responsável por divulgar cópias da sentença, mas não desmentiu uma única linha do que foi publicado.

Em seguida, durante as saudações, o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro, que atuaria na acusação, cumprimentou o juiz e fez elogios à sua forma de atuação. Também elogiou o Diretor de Serviços, Douglas Quintanilha, principal alvo das acusações contidas na carta anônima. Foi a última menção pública de Arimatéa a respeito do episódio. Procurado por diversos veículos de comunicação ao longo do dia, recusou-se a conceder novas entrevistas. Reafirmou que o que tinha a dizer estava expresso na sentença.

Nesta sexta-feira, Arimatéa e Paulo Borges devem se encontrar no salão do júri. Ambos são esperados para a solenidade de instalação da Vara da Fazenda Pública em Franca. O desembargador Ivan Sartori, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, é esperado para comandar os trabalhos (leia mais em texto na página ao lado).