08 de julho de 2026

Realizações


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Um provérbio chinês de autor desconhecido diz: “Todo homem deveria ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro”. Gosto de árvores e já plantei várias, inclusive na chácara do meu pai. Filho, graças também a minha esposa Juliana, temos o Gabriel, um anjo enviado por Deus. Só faltava o livro! Esse se torna público hoje, nasce para o mundo as 19h30 na OAB de Franca, com o título: Discurso Jurídico, Mulher e Ideologia: uma análise da Lei Maria da Penha, fruto das experiências cotidianas do exercício profissional e das pesquisas realizadas no mestrado em linguística. Se analisar simplesmente o provérbio chinês posso pensar que estou plenamente realizado e que não preciso de mais nada para ser feliz. Será? Acredito que plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, não encerra as realizações de qualquer pessoa, mas as amplia, pois, ao escrever, permito que outras pessoas me identifiquem, me julguem e interfiram de maneira positiva, negativa e até com indiferença. Tudo isso está inserido dentro de algo maior, o crescimento do ser humano no campo espiritual, educacional, cultural, mental, etc.

É pelo fruto que se conhece a árvore; logo, posso afirmar que através do filho se conhece o pai e a mãe e através do livro se conhece o autor e a sua visão de mundo. Sendo assim, o provérbio chinês não se limita ao óbvio, ao que está dito; há um não dito que me obriga a ser responsável pelos frutos que gerei. Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas, lembra? Cada leitor, ao ler um livro entra no mundo do autor e passa a criar o seu próprio mundo, um mundo novo, idealizado, com possibilidades de mudanças, de sonhos, de realizações, de esperança, de amor, de ódio, de tédio, de vingança, de paixão e de desejos variados. A árvore, o filho e o livro são sinônimos de vida. Através deles temos uma troca, uma fotossíntese que pode ser metafórica. Vejamos: com a árvore o gás carbônico se transforma em oxigênio; a ausência de completude da vida é transformada com a chegada de um filho e a visão do mundo transforma-se com a leitura de um bom livro.

Através do filho e do livro as palavras se materializam. As boas palavras destinadas ao filho tendem a torná-lo um homem de bem e, no livro, há a possibilidade de ver e refletir sobre algo que não havia visto ou pensado antes. Todos precisam de esperança para viver, tal como a árvore precisa do gás carbônico e do oxigênio, o filho precisa dos pais que também precisam do filho e o livro precisa do autor, como o autor precisa dos leitores e ambos precisam do livro. Há uma interdependência. Uma relação complexa e necessária que justifica e atualiza o provérbio chinês. Escrever e lançar um livro é desafiador, gratificante e preocupante, pois, ao ser lido, o autor passa a ser construído pelo leitor, o qual tem a liberdade de refletir e de fazer construções e considerações sobre o mesmo.

Convido cada leitor do Comércio a ser pessoa realizada plantando uma árvore para melhoria do nosso planeta, a ter um filho, ainda que do “coração”, para melhoria da sociedade e a escrever um livro, para melhoria própria. Convido ainda a comparecerem hoje na OAB para assistir ao nascimento de uma realização que também se completa com a sua presença, a sua leitura e a sua reflexão. Vida que se vive só, não é vida. Realização que se conquista só não é realização.

Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário