O que diferencia algo público de algo privado é a posse. As coisas públicas são de todos, do povo, da comunidade. As privadas, essas têm donos, proprietários que dentro dos limites da Constituição podem fazer o que quiserem com esse algo que possuem.
Temos piscinas públicas, por exemplo, onde todos podem nadar, desde que sigam algumas regras básicas de interesse comum. Nas privadas, só se formos amigos dos donos. Há, também, os prédios públicos, em que o acesso é aberto a todos. Nos privados, porém, o acesso carece de uma permissão concedida pelos donos.
Mas existe um tipo de espaço público em nossa cidade que infelizmente parece inverter essa lógica, deixando transparecer características de algo privado. São as escolas. Apesar das honrosas exceções, em sua maioria os diretores e também professores dessas instituições tomam como seu aquilo que é de todos.
A despeito das regras que precisam existir para o bom funcionamento de todo e qualquer espaço público, nossos educadores pecam por exagerar na dose. Impregnados de um autoritarismo fora de lugar, impedem o acesso das pessoas que têm, por direito, livre acesso a um próprio público.
Não raro são também os educadores, que na mesma linha de conduta, tentam dificultar o trabalho da imprensa. A postura permite pensar que existe receio por parte desses profissionais na divulgação de informações e atitudes inadequadas. Nessa última semana, por exemplo, jornalistas do Comércio se depararam com alguns desses educadores autoritários, inclusive com direito a boletim de ocorrência e tentativa de coação.
Ao receber uma denúncia de que os professores da Escola Municipal ‘Professor Florestan Fernandes’, estariam usando como estacionamento a quadra coberta (destinada aos alunos), a reportagem foi averiguar de perto a veracidade da mesma. Para se certificar de que o uso irregular realmente acontecia e, também, para garantir que ele não se tratava de algo ocasional ao invés de uma prática comum, nossa reportagem repetiu essa ação durante vários dias, como manda o bom jornalismo. A reportagem encontrou o portão aberto e, por se tratar de um espaço público, e por estar a serviço do interesse público, não teve dúvidas, entrou e foi conferir de perto a veracidade de denúncia. Foi mal recebida. Mesmo quando estava na rua, em frente à escola, apenas observando, nossa equipe foi bombardeada por perguntas que não tinham um tom nada amigável. Os profissionais da escola registraram inclusive um Boletim de Ocorrência alegando que a unidade teria sido invadida. É triste constatar que um espaço tão importante como a escola ain
da seja, nos dias de hoje, administrado de forma tão tacanha e autoritária. Pobre de nossos alunos. E de muitos professores.