A rotina da faxineira aposentada Umbelina da Costas, 53, está mais complicada. Com uma das pernas quebrada em dois lugares, ela tem sofrido para cuidar da pequena Ana Laura, de 3 anos, sua filha adotiva, no sobrado onde mora sozinha com a menina no Santa Bárbara. No último dia 8 de março, Umbelina sofreu um acidente dentro da Paróquia Santana, no Aeroporto. Agora quer que a igreja tome providências para evitar novas vítimas.
O caso aconteceu quando dezenas de famílias foram convocadas pelo Cras (Centro de Referência em Assistência Social) para a assinatura de documentos relativos a benefícios sociais. “Fui assinar os papéis do Renda Cidadã, que me dá R$ 80 por mês. Levei minha filha comigo. Foi a primeira vez que fui àquele salão e estava lotado de gente”, disse Umbelina, se referindo ao salão que a Igreja empresta ao Cras para que esse possa fazer o atendimento ao público.
Quando as assistentes sociais começaram a chamar as pessoas para formarem uma fila, houve correria. “Era muita gente, devia ter umas 500 pessoas aqui. Elas começaram a chamar e corri para a fila. De repente, o chão sumiu e eu estava dentro da piscina no chão, toda machucada.”
A aposentada diz que não havia sinalização que indicasse a existência da piscina, que tem cerca de um metro de profundidade. “O que existe são os pilares, mas como havia muita gente, não dava para ver a piscina.”
Umbelina alega que ninguém da organização ou da igreja a ajudou a sair da piscina ou providenciou socorro. “Pedi para minha filha chamar a assistente, mas a assistente disse que tinha que fazer os atendimentos e não podia me ajudar. Mesmo com a perna quebrada, sai sozinha da piscina.”
As pessoas que estavam no salão é que prestaram socorro à aposentada. “Eles viram meu estado e me levaram para a UBS do Aeroporto. Lá viram que eu estava com a perna quebrada em dois pontos e com as costas machucadas.”
A aposentada disse que não pretende processar a igreja, mas que alguma medida de segurança tem que ser tomada. “Aquilo não pode ficar daquele jeito. É perigoso. Se estiver vazio, a gente vê, mas com um monte de gente fica difícil. O ideal é colocar uma corda de isolamento ou tapar a piscina.”