O lixo produzido pelos francanos irá gerar energia elétrica. Esta semana a Prefeitura assinou contrato com a empresa Araúna Energia e Gestão Ambiental para a concessão de exploração do Aterro Sanitário “Professor Ivan Vieira”, que captará o biogás (proveniente da decomposição dos resíduos) e o transformará em energia. O investimento da empresa será de R$ 10 milhões, sem contrapartida do município, que terá direito a 18% dos lucros obtidos com a comercialização da energia e dos créditos de carbono - espécie de moeda ambiental - que serão gerados. A previsão é de que em oito meses a usina geradora de energia já esteja funcionando. A capacidade de produção será 1,5 MW, suficiente para abastecer simultaneamente 1.000 residências.
Diariamente, o aterro sanitário de Franca recebe 200 toneladas de lixo orgânico e 100 toneladas de lixo industrial. Instalado em 2005, tem vida útil de mais 15 anos e é modelo em toda região. No ano passado recebeu nota máxima em avaliação da Cetesb (Agência Ambiental do Estado de São Paulo). “Lá são produzidos dois elementos graves ao meio ambiente: o chorume - tratado e destinado à Estação de Tratamento de Esgoto da Sabesp - e o metano (CH4). A partir da implantação do sistema de captação do biogás, através de tubulações, passando por um sistema de geração de energia, o metano não será mais emitido para o espaço. A não emissão desse gás, vai colaborar com a não poluição do ar de Franca”, explica o secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares.
O biogás produzido pela decomposição dos resíduos orgânicos, no aterro sanitário de Franca, é lançado à atmosfera por meio de drenos e queimado para minimizar os efeitos de seu lançamento - já que é um dos vilões causadores do efeito estufa. A queima do biogás transforma o metano (CH4) em dióxido de carbono (CO2) e vapor d’água. Com a instalação da usina geradora de energia, a captação do biogás será forçada por meio de sucção, depois ele passará por um processo de pré-filtragem, em seguida será encaminhado para a geração - por meio do motogerador - e distribuído na rede de energia elétrica. O gás excedente será queimado. Assim, deixarão de ser emitidos, por hora, no ar 1.200 m³ de metano, que é 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono, gás emitido, por exemplo, por veículos movidos à combustível fóssil - gasolina e diesel.
O gerente da divisão de apoio ao controle de fontes de poluição da Cetesb, Cristiano Kenji Iwai, disse que apenas dois aterros sanitários fazem o aproveitamento energético e a geração de créditos de carbono no Estado.
Franca será o terceiro aterro em todo Estado de São Paulo, com funções ambientais, energéticas e financeiras. Mas para iniciar as atividades, será necessária a licença concedida pela Cetesb, que demora no mínimo 120 dias. De acordo com o diretor regional do órgão em Franca, Francisco Setti, ainda não houve solicitação de licenciamento do projeto.
LUCRO
A novidade permitirá, além da geração de energia limpa e diminuição da poluição do ar, a geração de créditos de carbono - certificados emitidos para empresas que deixam de poluir o meio ambiente e que podem ser comercializados.
Nesse sentido, Franca terá um ganho financeiro, uma vez que o contrato com a empresa Araúna prevê o repasse de 18% dos lucros provenientes da venda do crédito de carbono e da energia elétrica produzida que, segundo a secretaria municipal de Meio Ambiente, será lançada na rede e vendida para CPFL.