08 de julho de 2026

Direito à liberdade


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A época atual é caracterizada pelo intenso desejo de liberdade que todos alimentam. Liberdade de pensar, sentir, agir. Cada um quer ter o direito de ser como melhor lhe apraz. É legítimo o direito de expressão. Obviamente de expressão responsável e consequente! As relações sociais requerem regras que lhes garantam a convivência. Individualmente posso fazer o que mais me agrade. É um direito que me assiste, devidamente consagrado pela Constituição Federal. Entretanto, o atendimento aos meus anseios particulares não pode ferir o direito alheio.

Vale dizer: meu direito termina onde começa o do próximo. Esta é a mais comezinha regra de conduta social. Regra, aliás, exaltada por Jesus quando disse: “Faze ao outro o que queres que te seja feito”. Não é por outra razão que pedagogos, psicólogos, educadores, hodiernamente, têm ressaltado a importância de os pais estabelecerem limites para os seus filhos. E quando falamos em limites, não estamos falando em punição. Estamos falando em respeito a regras indispensáveis à boa convivência em qualquer lugar.

A educação formal há de estar convenientemente alicerçada na educação moral. Uma e outra hão de estar representadas nas duas asas do equilíbrio na formação do ser humano, mas, antes mesmo que a criança receba a enxurrada de informações modernas que a farão ‘culta’, indispensável é que receba a educação que implique noção de responsabilidade na convivência. O que se faz evidente, todavia, é a ausência de respeito, notadamente com os mais velhos e uma irrestrita liberdade de conduta na “curtição” de duvidosas preferências sonoras em logradouros públicos, tanto quanto na maneira de se vestirem.

A psicóloga Rosely Sayão, no caderno “Equilíbrio”, do jornal Folha de S, Paulo, edição de 28 de fevereiro último, aborda o assunto com muita propriedade. Diz ela: “Sabemos que a informalidade é uma marca forte do mundo contemporâneo. Quase todos os rituais sociais foram extintos, a polidez nas relações sociais já não faz o menor sentido, a moda usada no cotidiano não precisa se adaptar ao corpo de quem usa e, tampouco, à situação ou ao local em que a pessoa está.”

Na evidência o individualismo, ordinária e paradoxalmente, contaminado por imitações perniciosas. Não há uma preocupação com o “outro”, no sentido do bem comum. Cada um para si e, se possível, Deus só para si, também.

A Doutrina Espírita, baseada na moral de Jesus, recomenda a evolução como meta e diz que não se consegue a santidade senão em longo processo de amadurecimento. Diz, ainda, que são os pais quem deve estabelecer valores e limites para os filhos, mas preocupados em demasia com a sobrevivência material da prole, andam esquecidos dos valores espirituais. Vacinam os filhos, para evitar possíveis enfermidades físicas, mas não se preocupam em ministrar-lhes a vacina moral do exemplo que os forraria das piores enfermidades, que são as do caráter.

No artigo citado, diz ainda a autora: “... a escola reclama das roupas que as mães deixam suas filhas vestirem, para frequentar as aulas, mas ninguém faz nada”. Por que? Ou porque se projetam nas filhas e nos filhos, ou porque lhes faltam a força moral, corolário da conduta exemplar de quem vive o que fala.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca