A economia criativa é um dos setores mais dinâmicos e com maior potencial para geração de emprego e renda no século XXI. Dados recentes mostram que, no Brasil, o setor era responsável por 8% do PIB. A realização da Copa e os Jogos Olímpicos colocam o país em evidência no cenário mundial, momento adequado para mostrar o potencial da nossa economia criativa. As cidades devem criar estratégias para atrair e reter profissionais ligados à área, com a criação de espaços urbanos propícios ao desenvolvimento de atividades como turismo, cultura, artesanato, design, gastronomia, serviços de arquitetura e produção de software.
“Quando o mundo está mudando dramaticamente, precisamos repensar o papel das cidades, de seus recursos e como o planejamento funciona.” A frase de Charles Landry no livro A Arte de Construir a Cidade é oportuna no momento de transição para pensar o futuro, quando está terminando um governo (Sidnei Rocha) que é exemplo acabado do atraso, do qual Franca se ressentirá ainda por vários anos.
Landry descreve um novo mundo urbano, baseado em princípios distintos dos que funcionavam nas cidades industriais, contrastando o “paradigma urbano de engenharia” de desenvolvimento urbano, no “fazer criativo”. Para o autor, uma nova classe de trabalhadores (do conhecimento), está liderando a criação de riqueza nas cidades e elas precisam atraí-los. O ambiente desses lugares, onde artes, bom design, cafés, cultura, preservação histórica e ambiental, e acesso a parques têm um papel, precisam criar um clima para as pessoas, assim como um clima para as empresas.
Segundo Landry, inicialmente o conceito de “cidade criativa” foi considerado o de “um lugar onde os artistas desempenhavam um papel central e onde a imaginação definia os traços e o espírito da cidade, mas que só pode florescer quando a administração pública é imaginativa, onde há inovações sociais, onde a criatividade existe em áreas como saúde, serviços sociais e mesmo política e governança”. Ou seja, exatamente o oposto do legado de Sidnei Rocha, que é de autoritarismo, burocracia e falta de imaginação.
O repertório de uma cidade criativa inclui criar “novos equipamentos icônicos e que possam ajudar a gerar orgulho cívico; atrair nômades do conhecimento, pois uma comunidade de pesquisa é vital; reutilizar antigos edifícios para as atividades da nova economia (vejam o que Sidnei permitiu que fizessem com o prédio da AEC); misturar o novo e o antigo geralmente faz diferença”.
O outro aspecto é a educação. Segundo Landry, “os estudantes deveriam adquirir qualificações mais elevadas, tais como aprender a aprender, criar, descobrir, inovar, resolver problemas e se autoavaliar. Isso desencadearia e ativaria gamas mais amplas de inteligências; estimularia abertura, exploração e adaptabilidade, e possibilitaria a transferência de tecnologia entre contextos diferentes”. Qual foi a política educacional de Sidnei? Adquirir prédios em ruínas e gastar milhões em reformas. Em qualidade, permanecemos medíocres.
Sua conclusão é que a cultura deveria moldar as características técnicas do planejamento e do desenvolvimento urbanos, ao invés de ser vista como um acessório marginal a ser considerado.
Mauro Ferreira
Arquiteto, bolsista da Fapesp e pesquisador do LabDES da Unesp/Franca