A imprensa tem seus defeitos, não há dúvidas. Como suas ações são coordenadas por seres humanos, obviamente pecam em alguns momentos, mais comumente pelo excesso do que pela omissão. Mas, também não restam dúvidas de que ambas as instituições são fundamentais para o fortalecimento da democracia.
Para um país que carrega em sua história graves distorções em termos de direitos civis, para além de uma crônica desigualdade socioeconômica, a consolidação da liberdade de imprensa depois de séculos de governos autoritários é um momento de fundamental importância para a defesa dos direitos civis de todo o cidadão brasileiro.
Nesse sentido, a crítica dirigida pelo prefeito a essa instituição pareceu ser mais uma forma de desviar a discussão em torno do ex-presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues, denunciado pelo Ministério Público do Trabalho por assédio moral e sexual, do que realmente discutir as ações da imprensa.
A atuação da imprensa, de forma específica a do GCN, foi dentro do que preconiza um trabalho sério e ético, a despeito da culpa ou da inocência de João Marcos. Como havia denúncias de assédio, o MP abriu investigação. Ao concluir a investigação, encontrou indícios que considerou suficientes para a abertura de processo. A partir daí, no tocante aos veículos do GCN, fizeram exatamente com o que se espera de um veículo de comunicação. Ou seja, apuraram, investigaram, entrevistaram e publicaram as informações.
Agora, depois que o caso veio à tona, a prefeitura diz que havia uma investigação interna. Não se questiona sua validade, mas ela em nada invalida o trabalho da imprensa.
Em que pese os avanços registrados nos últimos anos diante do trabalho realizado pelos veículos sérios de comunicação, parece que ainda se faz presente o velho hábito de se culpar a a janela pela paisagem. Mas é preciso entender de uma vez por todas que se a paisagem é desagradável, a culpa não é da janela. E, só para ficar claro, nessa analogia, a janela é a imprensa.