10 de julho de 2026

PSDB vive período de prévias em meio a crise na Prefeitura


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Amigos? - Engler e Sidnei Rocha se abraçam no lançamento de prévias tucanas no ano passado. Hoje, os dois não se falam

Dentro de duas semanas, o PSDB vai se reunir para escolher o candidato que tentará manter a cadeira ocupada por Sidnei Rocha nas eleições de outubro. Quando a executiva estadual estabeleceu, sem setembro, que onde houvesse mais de um nome, os filiados iriam votar para decidir o indicado, os tucanos de Franca não imaginavam que as prévias seriam realizadas em um período de crise intensa. Nunca na história do partido na cidade, o ninho esteve tão tumultuado. Os principais caciques não se falam há sete meses e os pré-candidatos se digladiam. Como desgraça pouca é bobagem, a administração, que parecia navegar em águas calmas, sofreu um tsunami essa semana ao ver dois homens de confiança do prefeito, que é o presidente do partido, pedirem demissão.

Em outubro, Sidnei Rocha lançou os secretários Alexandre Ferreira, Sebastião Ananias e Valéria Marson como pré-candidatos. Se era uma estratégia para afagar os aliados, não demorou para a prática mostrar que a decisão foi pouco acertada. No mês seguinte, os primeiros sinais de rachadura. Ananias insinuou que Alexandre era o preferido do prefeito e ameaçou abandonar as prévias. “Não quero ser objeto de massa de manobra.”

Ananias não cumpriu as ameaças. Foi o primeiro a se inscrever, na última quinta-feira, para as prévias. Dois dias antes, Alexandre Ferreira e ele discutiram asperamente. “Ele foi infeliz numa conversa comigo”, contou Ananias. Há duas semanas, bombeiros do tucanato tentaram lançar um único nome. Valéria Marson bateu o pé e avisou que não abriria mão da pré-candidatura. Ela fará sua inscrição nesta segunda-feira.

As mesmas prévias que provocaram um clima de guerra entre os secretários detonaram a relação entre Sidnei Rocha e Roberto Engler. “Ele não cumpriu a palavra comigo e tentou puxar o meu tapete”, disse o deputado em entrevista ao Comércio. Os dois tucanos graúdos não se falam mais e Engler ironiza ao dizer que não participará das prévias do PDS: “Partido Do Sidnei”.

Enquanto o prefeito, deputado e os pré-candidatos se atacam com fogo amigo, ações movidas pelo Ministério Público provocam estragos na Prefeitura. Quarta-feira, João Marcos Rodrigues, que respondia pela presidência da Emdef, pediu exoneração para se livrar do processo de assédio. No dia seguinte, Jerônimo Sérgio, secretário de Administração, também pediu demissão. Ele está com os bens bloqueados por receber pagamentos, supostamente, indevidos e é acusado de contratação irregular de médico. Durante entrevista coletiva, sexta-feira, Sidnei Rocha reclamou da pressão. “Ficamos muito exposto do jeito que está sendo feito. As manchetes prejudicam.” Jerônimo deve decidir esta semana se deixa o governo.