11 de julho de 2026

ONG Pedra Bruta ‘garimpa’ talentos há três anos; saiba mais do projeto


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INTENSIVÃO - Alunos se reúnem todos os sábados no Uni-Facef para reforçar os estudos

Em 1998, Felipe, o primeiro neto da pedagoga Maria Lidia Borges Machado, 69, completou dez anos e foi matriculado na quinta série. Maria Lidia decidiu, então, iniciar um trabalho de estudos com ele e outro aluno carente visando o vestibular. Começou a garimpar nas escolas públicas um estudante da mesma idade e série. Encontrou Jhimi Fernandes Vilar, mas acabou chamando também Talisson de Castro. Um amigo do neto, o xará dele, Felipe Gentil, se juntou a eles e os quatro iniciaram um ciclo de estudos na casa da pedagoga.

O projeto durou seis anos. Todas as quartas-feiras, o grupo se reunia por duas horas na residência da professora. Na primeira hora nadavam, em seguida tomavam um lanche e tinham 15 minutos de aulas de cidadania. Depois se debruçavam sobre os números para estudar matemática, auxiliados por um professor.

Maria Lidia conseguiu bolsa de estudos para Jhimi e Talisson e os dois se matricularam no Colégio Jesus Maria José, onde os Felipes já estudavam. No final do terceiro ano do ensino médio, os quatro foram aprovados em universidades públicas. Jhimi no curso de ciências da computação na Unesp de São José do Rio Preto; Talisson em matemática aplicada aos negócios na USP de Ribeirão Preto; Felipe Gentil em ciências da computação na USP de São Carlos e o neto Felipe em engenharia elétrica na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial).

Com o sucesso dos alunos nos vestibulares, Maria Lidia decidiu ampliar o projeto. Foi então que nasceu a ONG Pedra Bruta em 2009. Para montá-la, Maria Lidia enviou e-mails para os amigos e para sua surpresa recebeu resposta de 68 pessoas interessadas em contribuir com a ONG. A princípio, as reuniões seriam em um cômodo cedido numa empresa da família, mas a sala só tinha capacidade para 15 pessoas. Os trabalhos acabaram, então, transferidos para o Centro Uni-Facef, um dos parceiros da Pedra Bruta.

O curso começou com 15 alunos. Hoje são 45, de 11 e 12 anos, e a cada ano a turma ganha mais 15 “talentos”. Todos estudam em escolas públicas da periferia e são selecionados pela própria instituição escolar. A proposta é que sejam acompanhados pela ONG por sete anos, do sexto ano à terceira série do ensino médio. Todos os sábados, eles se reúnem para um intensivão de estudos. Começam às 6h40 com atividades físicas, lancham e depois estudam matemática, português, inglês instrumental e informática até 12h30.

Além dos estudos aos sábados, os alunos têm exercícios de matemática, português e inglês para fazer em casa. As atividades são divididas por dias da semana. Os trabalhos são focados no vestibular. “Trabalhamos para que tenham possibilidade de ser aprovados no vestibular de qualquer faculdade do País e assim tenham maiores chances de empregabilidade e de ajudar seus familiares”, disse Maria Lidia, presidente da Pedra Bruta. “A educação prospecta a vida das pessoas. Se elas estudam, ficam mais esclarecidas e conseguem recursos para ajudar a família”, complementou. A ONG, que tem 15 voluntários na diretoria e oito professores contratados, oferece material escolar, lanches e transporte.

Franciene de Souza, 12, é aluna do oitavo ano da Escola “Professora Lidia Rocha Alves”, no Jardim Aeroporto III, mesmo bairro em que mora, e pelo terceiro ano participa das atividades da ONG Pedra Bruta.

O plano de Franciene é ingressar numa boa universidade. “E eu não quero só chegar numa faculdade, mas sim ser uma das melhores lá e me destacar. Tenho vários cursos em mente para fazer, mas, por enquanto, penso em cursar matemática.”