08 de julho de 2026

Vida após a vida


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A revista Veja, edição do dia 15 de fevereiro último, publica reportagem especial de André Petry, de Nova York, na qual o autor dá conta de sua pesquisa sobre a continuação da vida após a morte. Cita vários escritores e pesquisadores que se dedicaram a descobrir as razões pelas quais a maioria da humanidade aceita a imortalidade da alma. Todavia, refere-se a casos de EQM (Experiência de Quase-Morte), segundo ele de acordo com as últimas pesquisas científicas, como nada mais do que ação cerebral. Em última análise, alinha opiniões que procuram demonstrar que “há uma base biológica” causal nas impressões daqueles que afirmam haver vivenciado tal experiência. Em síntese, o pensamento nada mais é do que uma exsudação cerebral, portanto, não há vida após a morte.

A nosso ver, é um raciocínio simplista, porquanto basta que se observe um cadáver para verificar-se que o cérebro, conquanto intacto, não continua pensando, o que se pode comprovar pelo eletroencefalograma, mesmo nos casos de morte cerebral, quando os demais órgãos do corpo permanecem funcionando. Se tudo fosse produto do cérebro, este continuaria a pensar, mesmo depois de ocorrida a morte material. Não é o que se verifica. Comete, ainda, na nossa opinião, o engano de admitir – segundo um de seus citados pesquisadores – ter o homem um supersentido, um instinto para acreditar em coisas invisíveis, imensuráveis, desconhecidas – “como a existência de uma entidade divina, poderes da cartomante, a coluna de horóscopo dos jornais, a telepatia, a vida depois da morte”, tudo no mesmo saco, como se cada item não tivesse sua exemplificação e dedução filosófica adequadamente apresentada.

Para o Espiritismo, o corpo é uma morada para o espírito eterno, que reencarna para vivenciar experiências indispensáveis à sua evolução. Somos um espírito que tem um corpo, portanto, é ele a causa de todos os acontecimentos. O cérebro é o veículo de manifestação do pensamento que tem origem no espírito, mas não é o pensamento, assim como o rádio é o instrumento de manifestação das ondas hertzianas, mas não é as ondas.

Quando alguém vive as impressões de uma experiência de quase-morte, não é o cérebro que está criando uma “ilusão” e, sim, o espírito que se libertou do corpo, pelos laços distendidos do perispírito. É ele que, experienciando em outra dimensão registra tais impressões. Tanto é verdade que, na referida matéria, assim como em tantas outras que versem sobre o mesmo assunto, as descrições do fenômeno de quase-morte são coincidentes.

Vale lembrar do caso de um paciente que, durante experiência do gênero, viu, como que olhando do teto, que uma caneta do médico, sem que este percebesse, caíra atrás de um armário e, ao ser “ressuscitado”, além de relatar outros detalhes do episódio, indicou onde estava a caneta. Foi o cérebro dele que “imaginou” tais ocorrências, ou, realmente desdobrado, presenciou a cena?

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (Idefran)