Em 1993, Joel Schumacher dirigiu Michael Douglas no filme Um Dia de Fúria. Em seu enredo, o filme mostrava um homem desempregado que chegava ao seu limite durante um costumeiro congestionamento na imensa Los Angeles. Transtornado, resolve combater a escória da sociedade.
Em meio ao trânsito cada vez mais pesado e a correria habitual de seu cotidiano, Franca parece ter vivenciado na última quarta-feira, 07/03, um verdadeiro dia de fúria. Porém, ao contrário do que aconteceu no filme, o dia de fúria foi protagonizado pela escória dos bandidos.
Em apenas sete horas, bandidos armados roubaram três postos de gasolina, duas lojas, uma lotérica e tentaram levar o carro de uma sargento da PM, o que obviamente contribuiu para aumentar a sensação de insegurança e medo que já está se espalhando há muito tempo pela cidade.
O que assusta é que os casos de roubos estão aumentando cada vez mais, ocorrendo agora a qualquer hora do dia. A despeito das ações da PM, parece que os bandidos estão ficando mais ousados e atrevidos, além de violentos e ameaçadores, uma clara demonstração de que os efetivos de ambos os lados estão muito disparatados, com muitos bandidos para poucos policiais, sobretudo se considerarmos o crescimento da cidade nos últimos tempos..
Essa situação, além de preocupante, deveria nos levar a uma reflexão profunda sobre a sociedade que estamos construindo. Se por um lado a economia do país está crescendo, aumentando a oferta de emprego, incluindo mais gente na esfera do consumo, melhorando o nível de escolaridade da população, diminuindo a desigualdade social, aumentando a expectativa de vida de todos os brasileiros e melhorando os diversos níveis salariais, por outro estamos assistindo ao aumento do número de drogados, à intensificação de vários tipos de violência e o crescimento de certa passividade do todo social.
Construímos condomínios, contratamos alarmes e cercas elétricas, subimos os muros e colocamos câmeras em nossas casas, mas estamos nos esquecendo de agir socialmente, não apenas na forma retroativa, da fiscalização e do aprisionamento, mas, sobretudo, na forma proativa, da prevenção e da educação.
É bom pensarmos nisso rapidamente, não apenas as nossas autoridades, mas todo o conjunto da sociedade civil. Se as coisas continuarem por esse caminho, aproximando cada vez mais Franca das grandes cidades brasileiras no que diz respeito à intensificação do crime, muito rapidamente é possível se perder o controle absoluto da situação. E, chegando a esse ponto, os dias de fúrias serão uma constante.