08 de julho de 2026

‘Não vi a cor do dinheiro’, diz vítima


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A aposentada Maria das Dores Ravage de Oliveira está com 73 anos. Quase 20 anos após mover a ação contra o INSS, ela continua sem receber o dinheiro que lhe é de direito.

Ela não ficou totalmente satisfeita com a condenação. “Eles falam, falam, mas a gente não recebe nada. Ela vai ter que trabalhar para governo de graça, mas não estou preocupada com isso. Eu quero é o meu dinheiro. Até agora, não vi nem a cor.”

Além da pena de reclusão revertida em trabalhos para a comunidade, a advogada foi condenada a pagar uma multa de cinco salários mínimos em benefício da vítima. “Depois que ela pegou o meu dinheiro, nunca mais apareceu aqui na Vila Raycos. Também não atende mais os telefonemas. Quando falamos que a gente entraria na Justiça, ela pediu para o meu filho não sujar o nome dela. Pediu desculpas e disse que iria devolver com juros e correção monetária. Não devolveu nada.”

Durante depoimento à Justiça, a advogada alegou que devia apenas R$ 20.105,62. Ela deduziu da conta o cálculo de seus honorários, de 30% da ação. Em sentença datada de 17 de outubro de 2007, a juíza Julieta Maria Passeri de Souza não aprovou as contas apresentadas por ela e fixou a dívida da advogada com a cliente em R$ 37.316,20, valores corrigidos na época. “A advogada chegou a dizer na Justiça que foi me pagar eu que eu não quis receber. Não sou louca de fazer isso. Você acha que eu iria abrir mão do dinheiro precisando do jeito que eu estou?”