08 de julho de 2026

Mulher versus mulher


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A notícia é das mais recentes. O fato aconteceu exatamente na véspera do primeiro dia de março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, criatura responsável por tudo de bom que possa existir neste vasto mundo. Principalmente quando ama ou está apaixonada. Caso contrário, a mulher pode se tornar capaz das maiores torpezas. Não é à toa que ela costuma desconfiar das outras mulheres. Esta dicotomia faz com que dentro de uma mesma mulher sempre esteja em estado latente a mãe ou a avó e, num passe de mágica, a nora ou a sogra também.

O homem até que costuma ter poucos problemas com a sogra. No entanto, via de regra, entre nora e sogra prevalece uma guerra surda. Mesmo que ambas preguem a existência de um bom relacionamento, fica sempre no ar um campo minado, que se incendeia diante da menor fagulha disparada na forma de uma simples palavra. Por outro ângulo, não é novidade para ninguém que parte das mulheres hoje em dia vê na pensão alimentícia um meio de vida. Algumas delas chegam a ter até cinco filhos de pais diferentes só para conseguir uma considerável fonte de rendimento mensal. E ainda alardeiam isso aos quatro ventos.

Depois, sabedoras de que a lei lança seu braço forte sobre os pais devedores de pensão alimentícia, várias mulheres, contando com o aval de filhos e filhas já beirando a maioridade, não pestanejam em prestar queixa, exigindo que se mande para a cadeia aquele que não pode cumprir o pagamento dentro do prazo estipulado judicialmente. Não se discute o fato de o pai ser obrigado a pagar pensão aos filhos menores. Se bem que na falta de pagamento, a prisão possa ser até discutível. Agora, o dispositivo legal que manda o avô ou a avó para a cadeia no lugar do filho, quando este deixa de cumprir a obrigação, já é um ato legal desumano.

Do alto de seus 74 anos de idade, uma lavradora aposentada ficou presa por 31 horas em uma cela imunda da Cadeia Pública de Vianópolis, no interior de Goiás. A mulher deixou de pagar a pensão alimentícia dos seus quatro netos, com idades variando entre 8 e 19 anos, por quatro meses. A aposentada ganha R$ 622 por mês. Mas recebe apenas R$ 298. Isso porque ela fez dívida, com pagamento consignado em sua aposentadoria, para poder cumprir a ordem judicial de pagar a pensão nos últimos três anos, desde que seu filho sumiu. Mesmo assim, a ex-nora exigiu a prisão da mulher quase octogenária.

A lavradora só foi solta graças à colaboração espontânea dos ouvintes da rádio de Vianópolis (que fez campanha para arrecadar os R$ 1.588 que a avó devia de pensão aos filhos de seu filho). Por vezes, uma mulher age pior que o homem. Em meio às comemorações do Dia da Mulher, que propaga as conquistas femininas diante da opressão masculina, uma nora manda a ex-sogra para a cadeia, porque esta por falta de condições financeiras deixou de pagar a pensão, que nem é de sua responsabilidade. Assim é a lei!

Antônio Araújo
Articulista e professor