Ainda é pequena a percepção que os administradores públicos têm da importância das cidades na vida dos cidadãos. A relação que os administradores modernos precisam estabelecer com os cidadãos é, cada vez mais fundamental no cumprimento dos objetivos de uma gestão moderna e dinâmica.
O espaço urbano é a principal referência da humanidade. É nas cidades que a maior parte das pessoas do planeta nasce, se educa, trabalha, convive, sobrevive e morre. No Brasil não é diferente, pois a maior parte da nossa população já vive nas cidades, resultado do êxodo rural. Dessa forma, é na cidade que precisamos de atendimento médico, de escolas de qualidade, de segurança pública, de empregos, de transporte público eficiente e barato e de cultura e esportes para que sejamos, de fato, cidadãos plenos.
Acontece que isso só é possível ser garantido quando há determinação e compromisso da classe política, sensibilizando os demais setores civis para que, juntos, elaborem planejamentos para as ações de curto, médio e longo prazo. Infelizmente, poucos políticos têm a virtude da humildade e da capacidade de articulação, agregando vontades, idéias e sinergia.
É importante observar que o aumento do poder aquisitivo leva, em um determinado período, à melhoria na formação educacional e cultural das pessoas. Elas passam a acessar, mais e melhor, as informações produzidas e que estão facilmente disponíveis para o consumo.
Esse processo leva (ou levará) a uma sofisticação da vida e, com isso, a importância do espaço urbano como local de satisfação das necessidades, tanto básicas quanto supérfluas, aumenta consideravelmente, o que nos leva a refletir sobre o nível de importância crescente das gestões públicas municipais. A União e o Estado tornam-se cada vez mais abstratos na vida das pessoas e haverá, em algum momento futuro, uma redefinição da identidade econômica e política das cidades. Esse processo é irreversível e não podemos ficar passivos perante a necessidade do debate e da construção de um modelo novo de gestão pública municipal, uma ‘gestão da mudança’ como tem sido chamada, técnica e politicamente, por especialistas. Essa ‘gestão da mudança’ levará à redefinição da identidade das cidades, estabelecendo perspectivas e um futuro transformado.
Franca é exemplo desse modelo arcaico e ultrapassado de gestão pública. Os eventos aqui realizados, ano após ano, acontecem sem qualquer debate que explicite qual a sua importância na nossa identidade. Não sabemos ao certo se vale a pena reforçarmos algumas características da nossa identidade(?) ou não.
No setor econômico vivemos do ufanismo que liga a nossa história à indústria de calçados. Alguns falam das dificuldades do setor como se elas prenunciassem o seu fim e o da própria cidade.
Enfim, esquecem da importância dos debates sobre políticas específicas para a cidade, pois, somente assim, desenvolveremos críticas e propostas de intervenções nas políticas públicas voltadas para a economia local, para a educação, para a inclusão social e dos direitos da criança, para a democratização das relações e para a ocupação do espaço público local. A gestão pública moderna tem compromisso com a transformação das cidades.
Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário