Já houve um tempo em que países de todo o mundo estavam mais interessados em braços fortes do que em cérebros desenvolvidos. Tempos em que a força da economia se baseava na agricultura ou nos trabalhos simples e repetitivos das primeiras linhas de montagem que se formavam nas indústrias nascentes.
Porém, com o desenvolvimento tecnológico cada vez mais acelerado, os braços fortes foram perdendo espaço para o trabalho inteligente e criativo, já que a máquina passava a realizar o trabalho pesado e cansativo.
É claro que esse movimento não foi uniforme, nem ocorreu em um mesmo espaço de tempo em todos os países. Enquanto alguns aceleravam esse processo, outros o retardavam, dependendo do estágio de desenvolvimento econômico, tecnológico e cultural de cada um deles, da base de suas economias e do jogo de forças políticas que se estabelecia no interior dessas respectivas sociedades.
O Brasil, infelizmente, foi um daqueles que retardou esse processo. Com uma sociedade bastante desigual e com uma economia centrada na agricultura até meados dos anos 50 do século passado, o país descuidou completamente da educação de seus jovens e crianças.
Começamos a pensá-la seriamente apenas nas primeiras décadas do século XX.
Enquanto vários países da Europa e os EUA já haviam colocado todas as suas crianças na escola ainda no século XVIII, nós só conseguimos fazer isso no final do XX. E o fizemos mal e porcamente, colocando-as em escolas ruins, com estruturas capengas e professores mal remunerados e, até certo ponto, também mal formados.
A consequência de tudo isso, obviamente, não poderia ser lá muito boa. Em um momento que a educação se torna imprescindível para que um país possa competir no mercado globalizado, os resultados de nossos alunos nos exames nacionais e internacionais vão de mal a pior.
Levantamento feito pela ONG Todos pela Educação mostra que 82% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental não sabem matemática, conforme publicado por este Comércio no dia 09/02. Em português, até que os alunos se saíram um pouco melhor, mas nada que possa gerar uma grande expectativa.
Além de muito triste, essas constatações mostram o absurdo de um país que parece não ter uma política estratégica de longo prazo para formar a mão de obra necessária para os desafios que virão nos próximos anos. Em algumas áreas do conhecimento, por exemplo, já estamos precisando importar mão de obra, pois não a temos disponível em nosso próprio país.
E o pior de tudo é que o tempo está passando rápido demais. Mesmo que começássemos agora a investir pesado em educação, demoraria pelo menos uns 30 anos para mudarmos esse cenário.
De qualquer forma, não existe outro caminho. E é bom nos apressemos.