O levantamento do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade) mostrou que algumas doenças antigas e com tratamento disponível na rede pública de saúde continuam fazendo vítimas na cidade. Entre elas, a que mais tem matado pessoas é a doença de Chagas. Em 2010, foram 27 francanos. Na última década, morreram mais de 350 pessoas com a doença na região.
Provocada pelo Tripanossoma cruzi, um parasita que se instala no corpo humano, a doença afeta principalmente os sistemas circulatório e digestivo. Sua evolução é lenta e pode levar até 50 anos para apresentar os sintomas. A Unifran desenvolve um remédio para a doença de Chagas, que deve chegar ao mercado em 2015 (leia na página 11).
Outro mal que ainda mata é o diabetes. A doença afeta o processamento de açúcares no organismo, gerando como consequência ataque cardíaco, derrame, insuficiência renal, problemas na visão e lesões de difícil cicatrização.
Para o secretário municipal da Saúde, Alexandre Ferreira, tanto Chagas como o diabetes são doenças que, na verdade, matam porque acabam debilitando o organismo do paciente, que acaba por desenvolver outras doenças. “No caso do mal de Chagas, essas mortes são resultado de pessoas que adquiriram a doença há mais de 30 anos. Hoje não temos novos casos registrados em Franca.”
Segundo Ferreira, a Secretaria e a Sucen (Superintendência de Controles de Endemias) fazem o controle do inseto conhecido como barbeiro, que transmite a doença.
Já no caso do diabetes, os pacientes normalmente são pessoas obesas, com idade já avançada, rotina sedentária e com alguma predisposição genética. “As mortes normalmente acontecem quando os pacientes não seguem os cuidados que essa doença exige. Tratamento existe e todos têm acesso a ele, mas muitos não respeitam o que determina o médico.”
Para tentar diminuir as mortes provocadas pelo diabetes, Franca tem a Casa do Diabético. “É um centro especializado de tratamento, com uma junta médica voltada exclusivamente para atender aos casos mais graves da doença”, disse o secretário.
Além do Chagas e do diabetes, Franca ainda registrou em 2010 mortes provocadas pela toxoplasmose e pela cisticercose, ambas doenças parasitárias.
“Elas são doenças ainda comuns, adquiridas normalmente por falta de higiene na alimentação. Então, a profilaxia é adotar os cuidados básicos como lavar bem as mãos e os alimentos antes de comer, cozinhar direito as carnes e ter certeza de que está ingerindo um produto saudável”, afirmou Alexandre Ferreira.