10 de julho de 2026

Unifran pesquisa pimenta que pode salvar 30 milhões de brasileiros


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IN VITRO - Márcio Luís Andrade e Silva, coordenador da pesquisa, no laboratório da Unifran

Pequena e modesta, usada como condimento na Índia, a pimenta conhecida como Piper Cubeba tem ajudado pesquisadores da Unifran, desde 2000, a encontrar caminhos para combater a doença de Chagas e a esquistossomose, mais conhecida como barriga d’água. A especiaria produz uma substância chamada cubebina, capaz de agir no combate dos parasitas causadores das doenças que ainda afligem milhões de pessoas no Brasil.

Segundo o coordenador da pesquisa, o doutor em farmacologia Márcio Luís Andrade e Silva, é difícil encontrar investidores porque essas doenças são negligenciadas. Além da Unifran, investem no projeto a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a JP Indústria Farmacêutica. Ao todo, a pesquisa já consumiu R$ 1,8 milhão.

A conclusão, no entanto, depende de mais verba. Os chanceleres da Unifran tentam obter R$ 4 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O pesquisador diz que o valor é irrisório, se comparado às 30 milhões de pessoas que sofrem com essas doenças no país.

“São 20 milhões de brasileiros com Chagas e quase 10 milhões com esquistossomose. Mas o investimento é difícil porque são doenças que atingem uma camada da população que não gera lucro para a industria farmacêutica”, afirmou Silva. No ano passado, 44 pessoas morreram de Chagas em Franca. Em 10 anos, entre 2001 e 2009, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, 678 pessoas morreram com essa doença na região.

Para que o medicamento chegue ao mercado, além do dinheiro, é necessária a realização de exames de toxicidade em roedores e não roedores em laboratório credenciado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ensaio clínico em pessoas sadias e infectadas e processos burocráticos de praxe para circulação de fármacos. A estimativa é que a droga chegue às farmácias em no máximo três anos.

Os exames em roedores já foram realizados no laboratório da Unifran. Neles foi observado que o medicamento à base de cubebina age contra a esquistossomose reduzindo os parasitas alojados em questão de 40 dias.

Já a droga desenvolvida para o combate à doença de Chagas demonstrou resultados ainda melhores: na fase inicial, é possível matar 100% dos parasitas e, em estágio avançado, a vida do animal é mantida com tratamento.

Hoje, o remédio mais utilizado para o tratamento da doença de Chagas é o benzonidazol, princípio ativo do Rochagan. Ele retarda os efeitos da doença, mas não promove a cura. O medicamento desenvolvido pela Unifran não deve modificar esse quadro terapêutico, inicialmente, mas deve garantir menos efeitos colaterais.

VIAGRA
No percurso dos experimentos, a equipe de 15 pessoas envolvidas no estudo, incluindo colaboradores da USP de Ribeirão Preto, se surpreendeu com uma descoberta. Ao aplicar a substância em um roedor, uma das pesquisadoras observou uma ereção no animal. Descobriu-se então que a cubebina tem efeito 50% mais efetivo contra a disfunção erétil que o Viagra.

Segundo o pesquisador da Unifran, a patente para esta medicação já foi negociada com uma indústria farmacêutica, que fará o processo para colocar o medicamento no mercado.