É tempo de alegria e de folia, mas não dá para comemorar. Estamos em guerra contra a violência e a insegurança pública, filhas naturais da impunidade
Momo à parte, mascarados e encapuzados fazem a festa com nossos bens que nos tiram à força de armas e risos de escárnio de nós. Somos os bobos da corte brasiliense que decide, sem qualquer dor no coração, pró marginalidade e contra a cidadania, mas não vou tecer comentários extras sobre o que acabo de dizer.
O advogado e empresário Éder Silveira Brazão, em texto repleto de contundência e objetividade crua, esgotou a descrição do cenário no qual estamos inseridos e que todos precisam conhecer. Está na página A2 deste Comércio de hoje. O texto tem tudo para encabeçar uma petição nacional e angariar assinaturas de milhões para atestar ao políticos – aos sérios, que fazem as leis deste País – o grito de basta(!) que têm que praticar com urgência urgentíssima antes que as pessoas comuns comecem a fazer justiça com as próprias mãos. Agentes de segurança e juristas confessam-se de mãos – e canetas – atadas. Têm devolvido às ruas, todos os dias, criminosos de todos os naipes sob o auspício de leis caolhas. A contragosto, colaboram na institucionalização da impunidade.
Estamos em guerra! Há uma lei marcial em vigor, travestida de legalidade, forçando as pessoas sãs a se esconderem em casa, amedrontadas e impotentes. Acossadas no interior deste último e indevassável bastião, começam a pensar em reagir, mesmo que seja com paus e pedras, em defesa da vida, da família, do patrimônio. É instintivo, quase necessidade fisiológica. Pena. O direito constitucional à inviolabilidade do lar não honrado pelo Estado, motiva. Aliás, exige.
Estamos em guerra, ultrajados em nosso próprio território. Tomam-nos bens, frutos de nosso suor e de nosso trabalho. Levam-nos tudo e temos que aceitar. Como diz o bandido, “perdeu, meu irmão”.
Sei que muitos vão dizer que estou vendo fantasmas, que não é bem assim, que ainda há tempo. Não há. As pessoas leem e se informam pouco. A maioria ainda não compreendeu o que Éder grafou em texto, grito duro e real que tem que ser ouvido. Creiam. Como vírus e bactérias que se propagam invisíveis e letais, a contaminação social já é epidêmica.
Quem achar que deve e tiver coragem, que se manifeste. E quem puder fazer diferença concreta, não perca tempo. Amanhã pode ser tarde demais. Afinal - e repito -, estamos em guerra!
NÃO É ESTRANHO?
Volto ao confronto de 1,5 mil jovens com a PM, ocorrido perto do Distrito Industrial. A multidão fechou a avenida. Caminhões tiveram problemas para passar. Tentaram virar carros. Atiraram pedras e garrafas contra carros de polícia e policiais que revidaram com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Correram ao posto, depredaram. Posso estar enganado mas me recuso a acreditar que jovens tenha peito e coragem para confrontar órgãos de segurança. Parece coisa orquestrada. Perguntas que não querem calar: há lideranças entre esses jovens, induzindo-os à desobediência civil? Quem são e a que interesses servem? Não passa da hora dos órgãos de inteligência se infiltrarem para entender o que está se passando? Daqui a confrontos com mortes, há um curto caminho.
MÃE...
Uma das entrevistadas na ocasião do conflito, afirmou ao GCN que não sabia onde estava seu filho, e que não incomodava que ele fumasse maconha já que sempre foi um bom menino... Mãe?
QUASE 5 MIL CANDIDATOS
O ‘Primeira Chance’, programa de contratação de 40 aprendizes com idade entre 15 e 18 anos pela Prefeitura, disse ao que veio. Causou, segundo me contou ontem o Secretário de Administração do município, Jerônimo Sérgio Pinto, surpresa e preocupação. Ao lançar a possibilidade, esperava ele algo em torno de mil candidaturas mas esse número foi alcançado no primeiro dia – ! E o prazo só se encerra no dia 26 deste mês. Jerônimo me disse que 4160 jovens tinham se inscrito até ontem, 16h30, quando escrevi este texto. Jerônimo, criador deste projeto – e de outros de igual valia – é secretário discreto e profundamente eficiente do governo Sidnei Rocha. Ao constatar que havia demanda superior por oportunidades do tipo, passou a multiplicar a ideia junto a empresas do município. “Se, cada uma oferecer uma vaga que seja, tiraremos milhares das ruas e os prepararemos para uma vida produtiva, séria”. Everton Lima, diretor de rádio do GCN e comunicador social cidadão, também enxergou a mesma possibilidade mesmo sem que ambos tivessem trocado ideias a respeito. Comentou, em seus prestigiados programas sobre a ‘adoção’ dessa mão de obra ‘sem vícios que, contratada e treinada, pode fazer diferença efetiva na vida de empresas”. Gritaram o mesmo grito, ao mesmo tempo. Sintonia cidadã que precisa fazer vítimas positivas.
PERGUNTAR NÃO OFENDE
Perguntei em uma de minhas colunas, ao governo de São Paulo, se haveria continuidade ou não para o programa de isenção de impostos sobre a comercialização de camisinhas, já que sexo, hoje, anda disponível até sem muita conversa. A Secretaria da Fazenda Estadual respondeu, informando que houve sim, prorrogação da isenções de ICMS para áreas de medicina e saúde, e que o decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado em 19 de janeiro, oferecendo link, onde o documento pode ser conferido: http://www.fazenda.sp.gov.br/publicacao/noticia.aspx?id=1483. Prestíssimo. Cumprimento o Estado pelo comprometimento com programa de saúde pública que parece não ser nada, mas tem garantido, ao longo de anos, reduções drásticas nos índices de doenças sexualmente transmissíveis e nos de nascimento de crianças geradas no bem bom do momento, candidatas ao abandono e à marginalidade.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br