08 de julho de 2026

A China preocupa


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Existe uma enorme preocupação com o avanço da China sobre os mercados mundiais e, especificamente no Brasil, há crescente inquietação com esse fato. Depois de muitos anos de ostracismo econômico e político vivenciado pelo Brasil durante o regime militar, o País se mostra adepto da globalização, mas começamos a temer uma possível ameaça de desindustrialização decorrente da invasão dos produtos chineses.

Somos adeptos do livre mercado e entendemos (pelo menos parte da população) a importância do comércio internacional. Nenhuma nação consegue sobreviver e se desenvolver apenas com recursos naturais, tecnológicos e humanos próprios. O Criador foi justo e sábio ao dividir os recursos naturais e humanos por todo o planeta porque, assim, forçosamente teríamos que nos aproximar para, de forma solidária e cooperativa, nos desenvolver. Entretanto a economia mundial tem sido historicamente dominada por países e povos que por um período, mais longo ou mais curto, detêm os meios (recursos naturais, tecnologia e capacidade financeira) de produção.

A China, por sua vez, entra nesse contexto histórico provocando mudanças que nenhum pais anteriormente provocou. A economia mundial caminha para o estabelecimento de uma nova história econômica, tendo a China como marco divisor. O preocupante nesse contexto é ver que muitos países se acomodam nessa situação e optam pela lamúria ao invés da reação.

O Brasil não é diferente. Aproveitamos o desenvolvimento fantástico da China para nos tornar seu fornecedor de matéria prima (minérios e grãos) e fazemos bem em aproveitar a oportunidade. Entretanto, o extraordinário saldo na balança comercial brasileira na década passada acabou por provocar certa acomodação interna.

Alguns criticam o fato das commodities representarem mais de 50% das exportações brasileiras, mas isso significa apenas 6% do PIB brasileiro enquanto que as exportações de commodities em países como a Austrália e os Estados Unidos representam mais de 23% dos seus Produtos Internos Brutos.

Portanto, o cerne do nosso problema exportador não é a atual importância das commodities, mas a baixa competitividade brasileira nos produtos industrializados e para provar isso, basta sabermos que a Alemanha foi, no ano passado, o único país industrializado (além, logicamente, da China) que aumentou sua participação no comércio internacional com produtos industrializados e com alta tecnologia.

Esse fato escancara a realidade do mercado internacional. Somente exporta e cresce sua participação no comércio internacional quem pesquisa, desenvolve e prospecta mercado.

Ao invés de lamentarmos a entrada do produto chinês no Brasil (e no mundo) deveríamos ter estratégias para invadir o mercado chinês. O chinês está sofisticando os seus hábitos e precisamos estar presente naquele país quando ele se tornar, também, o maior importador do mundo.

Está na hora de nossos empresários se transformarem em empreendedores e arregaçar as mangas para a pesquisa, para a criatividade e para o desenvolvimento de produtos sofisticados e competitivos. Isso ocupa espaço no mundo.

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário