07 de julho de 2026

Escola de Samba: os elementos básicos


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O Carnaval é nossa maior festa popular. Começa no próximo sábado e vai até à terça-feira. Ele é tão importante para nosso povo que muitos estrangeiros, quando ouvem falar do Brasil, logo associam o país e o nome da festa. São três dias de folia, na maioria dos estados. Na Bahia, o Carnaval se alonga um pouco mais. E começa antes. O Carnaval varia de acordo com as regiões. Ou seja, tem perfis diferentes no Nordeste, no Sul, no Norte, no Centro-oeste. Frevo, axé, maracatu, afoxé e forró da Bahia para cima. No Rio e em São Paulo, samba.

Por causa do samba, nasce-ram as escolas de samba. Elas se apresentam em espetáculos públicos, em grandes avenidas ou em espaços especialmente construídos, os chamados sambódromos. Uma escola de samba básica necessita ter alguns elementos para ser considerada como tal. Não se trata apenas de reunir gente fantasiada para desfilar na rua; isso é apenas bloco. Escola de samba pede uma organização interna rígida, que não pode ser mudada. Vamos ver quais são os elementos básicos dessa organização.

Tudo na escola de samba pulsa sobre o enredo escolhido. Este enredo é a história que a escola quer contar. Pode ser a história de uma pessoa, de um lugar, de uma ideia, de uma causa. São inúmeras as possibilidades de se contar histórias. Em geral, no começo do ano, as escolas fazem um concurso e os dirigentes escolhem o melhor enredo. A partir daí convocam os compositores para criar o samba-enredo; e os carnavalescos para criar o visual. É bom lembrar que cada escola tem suas cores, como os times de futebol.

Uma escola de samba é aberta por uma comissão de frente composta por grupo que varia de 10 a 15 pessoas uniformizadas ou fantasiadas que chegam a pé e vão assim de deslocando pela avenida. Exibem uma coreografia bastante ensaiada, apresentando o enredo escolhido pela escola. Vamos supor que o enredo seja Vamos salvar o planeta. A comissão virá vestida com elementos deste tema mostrando para o público qual será o assunto a ser mostrado pela escola nos seus carros alegóricos.

Carros alegóricos são estruturas enormes. Alguns chegam a medir 13 m de altura e 60 m de comprimento. Eles exibem alegorias, ou seja, imagens em madeira, acrílico, isopor, plástico, metal, tecido, papel machê e outros materiais, com o objetivo de mostrar uma ideia do carnavalesco, que é o profissional que pensa em tudo isso. Os carros alegóricos variam em número e cada um é como se fosse capítulo de uma história. No caso do enredo Vamos salvar o planeta, os carros alegóricos poderiam mostrar pássaros, animais diversos, poluição, alternativas para transformar recicláveis, coleta de lixo etc.

O primeiro carro de toda escola chama-se Abre-alas. Na sua parte central ele traz o nome da escola de samba que representa. Muitas vezes traz também o símbolo dessa escola. Depois do carro Abre-alas vêm outros carros, cada um com seu tema, contando o seu enredo, a sua história. Eles evoluem de forma a não ficarem colados um no outro, mas em velocidade que lhes permita se deslocar pela avenida em uma hora. Por isso, entre eles há sambistas que acompa-nham para manter o andamento e o ritmo.

O coração da escola vem logo atrás. É a bateria. Sem ela, impossível pensar em escola de samba. A bateria é uma orquestra com instrumentos de percussão que devem acompanhar o samba enredo e conduzir o ritmo. O número de seus componentes varia entre 250 e 300. Eles são responsáveis pro um dos momentos mais eletrizantes da passagem da escola de samba.

Depois dos primeiros carros alegóricos vem o casal formado por mestre-sala e porta-bandeira. Eles executam um bailado muito bonito, com graça e leveza, apesar das roupas pesadas que vestem. Muito coloridas e traba-lhadas, estas roupas são um dos pontos importantes das escolas. Realçam a beleza do casal de dançarinos. Em determinado momento eles param e apresentam a sua dança especial para o público. A bandeira é o estandarte da escola, e diante dela o mestre-sala faz reverência.

A ala das baianas é outro agrupamento essencial a toda escola, formada por mulheres mais velhas, da comunidade e de outros lugares também, vestidas com saias longas e rodadas, mais arranjos na cabeça. Elas ali representam as antigas tias baianas que introduziram no Brasil o samba. Como é do conhecimento da maioria, este ritmo é um legado dos escravos que o trou-xeram da África para o Brasil.

À frente da bateria vêm a rainha, a princesa, a musa, a madrinha da bateria. São esses os nomes dados à mulher escolhida para apresentar ao público o conjunto de músicos. Essa é uma função de grande responsabilidade. A rainha deve saber sambar muito bem, encantando o olhar do público. Atualmente as rainhas são escolhidas entre artistas de televisão. Mas podem ser também da própria comunidade da escola.

Fechando a apresentação, chega a ala chamada de Velha Guarda. É formada por aqueles que há muitos anos estão na escola, fazem parte daquela comunidade, já viram outros carnavais e têm muitas histórias para contar. São respeitados, reverenciados, sempre ouvidos pelos mais jovens. Entre eles estão muitos compositores.