O bebê recém-nascido Christian Mariano da Silva Soares morreu na manhã de ontem, dois dias após o parto. Para os pais da criança - o fotógrafo Jorge Luis Soares, 32, e a dona de casa Jane Cristina da Silva Soares, 35, moradores no Chico Neca - a morte foi causada pelo atraso no procedimento cirúrgico. A família só foi atendida na segunda vez em que procurou a Santa Casa de Franca, cinco horas depois de Jane começar a passar mal. Os pais registraram um boletim de ocorrência de omissão de socorro no 1º Distrito Policial na segunda-feira contra o obstetra que teria liberado a mãe no primeiro atendimento.
O casal conta que foi ao hospital pela primeira vez às 9h30 de domingo.
Jane sentia fortes dores e contrações. Jorge pegou o veículo da família e se dirigiu à Santa Casa, onde foram atendidos pelo obstetra. Segundo o pai do bebê, o médico realizou o exame de toque e disse que ainda não estava na hora do parto. “Retornamos para casa e ela não andava de tanta dor.
Aguardamos até as 14h30 antes do voltar”, contou o fotógrafo. Segundo ele, à tarde, eles foram atendidos pelo mesmo obstetra, que teria pedido opinião a outro médico. O segundo especialista teria, então, assumido o caso e iniciado imediatamente uma cesariana. Mas, de acordo com o pai, já era tarde.
O bebê foi internado na UTI Neonatal porque, segundo os pais, estaria com pneumonia por ter aspirado líquido na hora do parto. Após dois dias, o bebê não resistiu e teve a morte confirmada às 7h10 de ontem. Segundo o atestado de óbito, a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda.
Christian seria o segundo filho do casal, que está junto há onze anos e já tem um menino de 7 anos. A gravidez, segundo os pais, foi planejada e todo o pré-natal ocorreu sem complicações. Com cerca de R$ 1,5 mil, a família já havia comprado o enxoval. Apesar da tragédia, a vontade de aumentar a família continua. “Eu não pretendo engravidar mais não. Agora eu pretendo adotar uma criança”, disse a mãe.
O pai não permitiu que fosse feita a autopsia do corpo, segundo ele, para evitar que o sofrimento se prolongasse. Também não houve velório. A criança foi sepultada às 16 horas de ontem, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Francana.
RESPOSTA
Desde o início da noite de ontem até as 23 horas, a reportagem tentou contato com representantes da Santa Casa, sem sucesso. Foram disparadas várias ligações em três números de celulares da assessoria de imprensa. Também foi tentado contato com o presidente Luiz Aurélio Prior, através de seu celular.
O Comércio também ligou para a casa do obstetra acusado, em Uberaba, e conseguiu um número de celular, que não foi atendido. Segundo a família do médico, ele tem 33 anos e está há cinco em Franca.