09 de julho de 2026

Confusão marca volta às aulas para 800 estudantes da rede municipal


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SEM ESTRUTURA - Mãe com aluno da Escola ‘Guiomar Ferreira da Silva’ são vistos na sala de aula improvisada e com fios dependurados num galpão perto da unidade, no Jardim Martins

O início do ano letivo na rede municipal de Franca foi marcado por transtornos para 800 alunos ontem. Os pais de crianças de 4 e 5 anos ficaram revoltados com a transferência dos filhos da Escola Municipal de Educação Infantil “Guiomar Ferreira da Silva”, no Jardim Martins, para um galpão com salas de aula improvisadas. Na Vila Nova e no Jardim Luiza II mais reclamações. As obras para reforma e construção de escolas nos bairros não foram concluídas e obrigaram o município a transportar mais de 700 crianças para um prédio alugado em frente ao Poliesportivo. A distância incomodou pais que residem no Luiza. A Prefeitura atende 25,5 mil alunos.

Na manhã de ontem, ao levarem os filhos até a Escola “Guiomar Silva”, muitos pais foram surpreendidos com a notícia de que os filhos teriam aulas num salão alugado no quarteirão da frente até a unidade passar por ampliações. Ao conhecerem o espaço, pais e crianças ficaram frustrados. Muitos levaram os filhos embora e as aulas foram suspensas.

No galpão divisórias usadas em escritórios formam duas salas. A falta de lousas, de bebedouros e de iluminação adequada - o imóvel não tem laje e a iluminação das classes é a mesma usada em todo salão, deixaram os pais indignados. “Aqui está parecendo um presídio, as crianças vão ficar fechadas dentro da sala, sem lousa, sem ventilação, com telhas de latão. Foi frustrante”, disse a coladeira de peças Karine Afonso, 29, mãe de Lauane, 5, da pré-escola.

Para a dona de casa Gisele Batista, 36, o espaço oferecido pela Secretaria de Educação é “absurdo”. “Não tem cabimento os alunos ficarem aqui. Na hora que fui levar meu filho na sala, ele já falou: ‘Mamãe, eu quero ir embora’. O filho da gente não é animal para ficar num lugar desses.” Kemily, 5, chorou ao ver o galpão e disse que não ficaria na “escola”.

Kayque, 5, e sua mãe, a auxiliar administrativo Mayara Santana, 25, voltaram para casa decepcionados. Desde a semana passada, o menino começou a se preparar para voltar para a escola. A mãe comprou tênis novo e uma lancheira dos personagens da Liga da Justiça. “Aqui não é uma escola, é um barracão sem condições, não vou deixar meu filho aqui. Ele não quis nem entrar.”

OUTRO LADO
A secretária de Educação, Leila Haddad, admitiu que faltaram adaptações no prédio provisório. “Foi um lapso não termos instalado bebedouros e ventiladores, mas vamos resolver isso em dois dias. A equipe de manutenção estava correndo para atender a todas as unidades.”

Leila disse que a Escola “Guiomar Silva” recebeu mais matrículas neste ano e está com a capacidade esgotada. A unidade possui quatro classes para atender 12 turmas nos dois períodos. Como faltaram duas salas por período, a Prefeitura precisou alugar o galpão para atender cem alunos até a ampliação, que contemplará a unidade com mais quatro salas. “Muitos pais fizeram as matrículas tardiamente e tivemos de conseguir um espaço para atender os alunos. Oferecemos a possibilidade de transportá-los para outra escola, mas, os pais não aceitaram.”

Segundo ela, uma reunião deve ser feita com os pais hoje. “A equipe já estuda que escolas podem receber essas crianças para caso os pais autorizem a transferência com o transporte oferecido pela Prefeitura. Se optarem por ficar no Jardim Martins, faremos as adequações”, disse Leila.