10 de julho de 2026

Franca só tem espaço para a implantação de mais 16 bairros


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CRESCIMENTO URBANO - Vista do bairro Jardim Piratininga 2, um dos que nasceram nos últimos anos em Franca, resultante do boom imobiliário

Alvo de críticas e polêmicas no passado, os vazios urbanos de Franca estão, pouco a pouco, desaparecendo. Um levantamento feito pela Diretoria Administrativa do Cadastro Físico da Prefeitura mostra que, na última década, o número de glebas (áreas sem parcelamento do solo) dentro do perímetro urbano diminuiu. E muito. Em 2002, a prefeitura apontava que a cidade tinha 40 áreas disponíveis para loteamentos. Hoje são apenas 16, uma redução de 60%.

Segundo Raquel Regina Pereira, diretora do Cadastro Físico, são considerados vazios urbanos áreas acima de 10 mil metros quadrados sujeitas ao parcelamento de solo que não estejam ocupadas por nenhum tipo de edificação e, claro, se localizem dentro dos limites do núcleo urbano do município.

Programas do governo federal de incentivo à construção civil como o Minha Casa, Minha Vida, facilidades de financiamento imobiliário junto aos bancos e maiores investimentos por parte de empresas do setor na cidade são alguns dos fatores apontados pelos especialistas do setor para explicar as razões dessa rápida diminuição.

“O que aconteceu, na verdade, é que o mercado imobiliário descobriu Franca. Há cerca de uns sete anos, muitas cidades paulistas com mais de 200 mil habitantes já estavam com suas demandas saturadas. As grandes incorporadoras começaram a procurar novas praças para investir. Foi quando as pesquisas apontaram para Franca”, disse a secretária municipal de Planejamento e Urbanismo, Valéria Marson.

Com muitas áreas disponíveis e um mercado consumidor ávido por moradias, a expansão foi rápida. “A procura era enorme. Como ainda é. As empresas descobriram que aqui existia um filão: gente com dinheiro para comprar e sem oportunidades. Aproveitaram”, disse Valéria.

Aos poucos, os grandes terrenos que, até então, estavam desocupados à espera de valorização passaram a abrigar novos bairros, como é o caso do Jardim Piratininga (zona leste). Na mesa da secretária na tarde da última sexta-feira, os processos de pedidos de loteamentos se avolumavam. O último levantamento divulgado em agosto do ano passado mostrava que um novo bairro é aprovado pela Prefeitura a cada três meses.

O boom imobiliário fez com que 24 grandes áreas espalhadas dentro do perímetro urbano fossem ocupadas nos últimos dez anos. Para Valéria Marson, as 16 restantes (veja no quadro) serão transformadas em bairros ou empreendimentos imobiliários em menos tempo. “Não tem como precisar esse prazo, até porque se trata de terrenos particulares, mas, pela experiência que acumulamos e pelo que temos acompanhado do mercado, acreditamos que antes de 10 anos a cidade estará toda ocupada.”

Quando não houver mais áreas vazias na Zona Urbana - que hoje corresponde a 14% da área total do município, que é de 607,4 quilômetros quadrados -, será necessário mudar o Plano Diretor da cidade e expandir o núcleo urbano, invadindo a Zona Rural.

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