Nossas vidas são montadas sobre estruturas – físicas, psicológicas e espirituais (ou psíquicas) –, de forma a garantir-nos a possibilidade de experienciarmos com proveito evolutivo na face planetária.
Como, na dinâmica da natureza, tudo se encadeia para o cumprimento do supremo desiderato da perfeição, toda necessidade dos seres é atendida a tempo e hora. Mas, enquanto nossos irmãos inferiores têm suas estruturas construídas segundo a força das coisas, o homem – racional – as promove, na condição de agente ativo e passivo, isto é, dotado de psiquismo, através do qual age, reage e interage no meio em que vive.
As crenças, os costumes, as coisas que particularmente lhe digam respeito, são expressões das estruturas elaboradas ao longo de sua existência, ou, em outras palavras, são manifestações da cultura moral que acumula.
No entanto, nem tudo para cuja realização o homem contribui é eterno. Sob a força implacável do processo evolutivo, as estruturas meramente humanas vão se modificando, especialmente as de natureza material.
Veja-se, ainda agora, a queda dos edifícios no Rio de Janeiro, ou o acidente ocorrido com o navio Costa Concordia, na Itália. De origem material ou psicológica, isto é, causados por desarranjo na estrutura dos respectivos corpos, ou por distúrbio psicológico de algum agente humano, o fato é que ambos determinaram a interrupção do curso de alguma coisa.
Tudo, porquanto, está a demonstrar a transitoriedade das construções físicas. A par do desgaste natural dos corpos, um simples descuido, uma inadvertência, uma precipitação infeliz e eis que se põe a destruir-se para transformar-se tudo aquilo que supúnhamos eterno. Demais, um acontecimento funesto pode atingir-nos emocionalmente, provocando-nos verdadeiro desequilíbrio na estrutura psicológica.
Assim a perda da representação física de um ente querido fragiliza-nos as estruturas psíquicas e morais, quando, nas mais das vezes, sob o peso de tais situações, muitos veem comprometido o seu interesse pela vida.
São quadros diante dos quais vemos ativadas as nossas estruturas que, por sua vez, hão de calcar-se nos ensinamentos do Mestre Jesus. Fortalece-nos, agora, a mensagem do Evangelho, minimizando-nos o impacto angustiante dos acontecimentos que não conseguimos evitar.
A compreensão da grandeza da Lei Divina como no-la ensinou Jesus e o respectivo culto através da fé raciocinada são a maior das estruturas a prodigalizar-nos as realizações da verdadeira vida.
A nossa visão, todavia, apequenada pela miopia do nosso entendimento, não consegue, ainda, vislumbrar a sublime proposta da Suprema Bondade, e, assim, coisas grandiosas, embaladas por outras que nos parecem desprezíveis, passam sem que as percebamos.
Todavia, tenhamos como conclusivo que os filhos do Infinito Amor não sofreriam, não fosse pelas infrações que cometem contra os desígnios das Leis Supremas, que, operam misericordiosamente em favor do progresso moral de todos, corolário da felicidade efetiva.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca