Seria terrível se víssemos pelo Brasil, placas com os dizeres: ‘Precisa-se de Empreendedor’. Obviamente que isso seria difícil de acontecer porque essa categoria de trabalho (é, empreendedor é trabalhador) é facilmente substituída por importação de produtos, serviços ou pessoal técnico de outros países.
Para nossa felicidade e sucesso futuro, nossa situação quanto ao empreendedorismo não é ruim. Há anos nos encontramos entre os países mais empreendedores do mundo e levamos vantagem na qualidade do empreendedorismo brasileiro, movido mais pela oportunidade do que pela necessidade. Isso significa que o ambiente econômico atual brasileiro favorece o surgimento de novas oportunidades de empreendimentos e que os brasileiros as estão enxergando.
Nos últimos anos, conforme dados levantados pelo Sebrae, os empreendimentos gerados pela necessidade diminuíram porque houve aumento na geração de empregos, favorecido pela economia aquecida. Portanto, aumenta o empreendedorismo por oportunidade quando há economia estável e quando melhoram os níveis de escolaridade e renda, mas, nem tudo é alegria.
Existem muitos desafios e o principal deles é exatamente qualificar os empreendimentos para que todos eles (ou a sua maioria) sobrevivam depois do período crítico inicial da sua existência.
O Brasil certamente agradecerá a todos aqueles que, acreditando no seu potencial, investirem em empreendimentos inovadores e com potencial de crescimento. Para que isso aconteça é necessário que nossos jovens sejam mais e melhor orientados quanto à perspectiva de ter o próprio negócio. Cada vez mais os novos empreendimentos estarão fortemente vinculados à tecnologia e à especialização, portanto, tudo acontecerá mais rapidamente e com um espaço menor para reação quando algo sair errado.
É preciso, portanto, encontrar encontrar apoio e orientação para empreender. Não basta só garantir financiamento para bons empreendimentos, mas, principalmente, apoio técnico e organizacional. Nesse sentido, as administrações públicas terão que se envolver com esses processos porque o crescimento econômico com produção e geração de empregos é, e sempre será vital para a estabilidade social; e isso é de interesse e de responsabilidade pública.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com o Ministério da Justiça e o Instituto Recupera Brasil já deu um passo. Lançou no final de 2011 o ‘Guia de Sobrevivência para MPEs’, com dicas importantes para a sobrevivência das micro e pequenas empresas, abordando orientações sobre planejamento, saúde financeira e crises.
O guia surgiu em resposta a pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que mostra que 27% dos empreendimentos abertos no Brasil fecham antes de entrar no segundo ano de existência; e que a falta de planejamento e gestão das ações a serem executadas pelas empresas iniciantes é um dos motivos para o fechamento.
Governos estaduais e municipais têm muito que fazer na área.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário