08 de julho de 2026

Hospital Regional


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Estou acompanhando por notícias publicadas nos jornais, à distância, a movimentação em torno da provável incorporação – ou seria fusão? – do Hospital Regional de Franca, uma instituição que presta relevantes serviços à população desta cidade e da região há mais de 44 anos, pela Unimed.

Evidente que sendo o Hospital Regional uma empresa constituída pela forma de sociedade anônima de capital fechado, em princípio, uma operação societária de tal grandeza interessa, fundamentalmente, a seus acionistas, ao corpo clínico, funcionários e colaboradores.

Porém, na condição de usuário – há bastante tempo –, do seu plano de saúde, além de ter sido durante anos seu assessor jurídico, senti-me no direito de colocar a minha impressão pessoal sobre essa provável operação societária, concluindo estas linhas, ainda, com um apelo pessoal.

Sim, pois além da minha ligação profissional e da minha condição de cliente do Regional, em suas instalações nasceram pelas mãos competentes do Dr. Reinaldo da Costa Ribeiro, as minhas filhas Rafaella e Larissa.

Pessoalmente, também tenho a minha dívida de gratidão com o Regional, pois em suas dependências fui operado por duas vezes, uma em caráter de urgência pelo saudoso Dr. Fernando Ruas dos Santos. Assim, meus laços com aquele hospital são fortes. Graças à competência de seus médicos e funcionários estou hoje podendo dar ‘pitacos’ em assuntos alheios.

Por outro lado, não tenho absolutamente nada contra a instituição Unimed e seus cooperados. Muito pelo contrário, sei da sua força e da sua importância para a saúde do povo de Franca e do Brasil. Trata-se, inegavelmente, de uma empresa séria.

Também desconheço completamente a atual realidade econômica e, principalmente, financeira do Hospital Regional. No período em que prestei serviços àquela instituição, a situação era de empresa sólida, que sempre honrava os seus compromissos com absoluta fidelidade.

Creio, sinceramente, que a realidade seja a mesma de então, pois o Regional sempre contou com administradores probos, austeros e competentes. Portanto, a unificação deve ter por escopo aumentar a capacidade operacional de ambas às empresas.

Assim, se a Assembléia de Acionistas, em sua maioria, decidir pela incorporação, peço, como um mero cliente, aos que assumirem o comando do Regional, que não permitam que ele mude ‘o seu jeito de ser’. Sim, pois a maioria de seus clientes reconhece que nele o paciente é tratado como um ser humano que está doente e necessitado de atendimento médico-hospitalar, e que, portanto, coloca a sua saúde e a própria vida nas mãos dos profissionais que lá prestam os seus serviços.

No Regional sempre existiu uma excelente relação médico-paciente. Peço, encarecidamente, que o cliente do hospital continue a ser visto e tratado como sempre foi.

Que o lucro, tão importante e necessário a toda empresa, não venha a ser o único objetivo a ser perseguido. Franca precisa muito do Hospital Regional.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca