O Brasil é pródigo em leis que não pegam. Muitas vezes, apenas para mostrar serviço à população, nossos legisladores acabam criando normas que desafiam o cotidiano da sociedade, seus costumes e seus hábitos. Como a fiscalização é sempre precária, rapidamente elas são esquecidas, inclusive pelos próprios órgãos governamentais incumbidos de fiscalizar seu cumprimento.
Em função disso, muitos talvez estivessem desconfiados em relação à Lei Antiálcool, em vigor desde outubro do ano passado. Como os jovens de hoje estão experimentando uma liberdade até um pouco excessiva, pelo menos sob o ponto de vista dos mais conservadores, era de se esperar que essa lei seguisse por esse mesmo caminho do esquecimento, a despeito de algum barulho que pudesse ser feito nas primeiras semanas de sua vigência, apenas para mostrar à sociedade a eficiência de nossas leis e de nosso governo.
No entanto, passados três meses, parece que a lei ainda está a todo vapor. Se os jovens não pararam de beber, como era de se esperar, pelo menos os bares e outros estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas estão bastante preocupados com as multas que podem vir a receber.
Como não sabem ao certo quando receberão a visita das quatro equipes que fiscalizam a lei em nossa cidade, resolveram aderir ao seu espírito. A despeito de concordar ou não com seu conteúdo ou com o próprio consumo de bebidas por menores de 18 anos, os comerciantes parecem não querer arriscar, mesmo que para isso tenham que perder alguns clientes.
Nesse sentido, boa parte dos estabelecimentos de Franca está ‘pegando pesado’ com os consumidores. Alguns condicionam o consumo de bebidas alcoólicas à apresentação de documentos. Quem esquece o documento, ou fica no bar sem beber ou vai embora para casa. Outros não estão nem permitindo a entrada de menores em seus estabelecimentos.
Alguns consideram esse cenário um tanto autoritário e antidemocrático. Porém, não podemos perder de vista que o álcool vem fazendo muitos ‘estragos’ em nossa juventude. Estudos apontam que o consumo de álcool acontece cada vez mais cedo na vida desses jovens, gerando problemas eles mesmos, para suas famílias e para toda a sociedade. O ideal, obviamente, seria trabalhar a conscientização das pessoas em relação às mazelas que o álcool, como qualquer outra droga, traz a toda sociedade. Mas é inegável que uma atuação mais rígida por parte dos poderes públicos já se fazia necessária há algum tempo, até porque as campanhas de conscientização nem sempre rendem o resultado esperado. Agora é torcer para que a lei continue sendo respeitada e que os jovens se conscientizem de que a experiência da bebida alcoólica pode esperar por mais alguns anos.