Um dos maiores problemas da vida urbana é sem dúvida nenhuma o trânsito. A despeito dos problemas de segurança e do crescimento geralmente desordenado das cidades, as vias congestionadas e perigosas tornaram-se um espaço de aventura, gerador de muitas mortes por acidentes e muito estresse em seus moradores. As grandes cidades, como São Paulo, por exemplo, que o digam.
Quem já experimentou a capital paulista em qualquer uma de suas importantes avenidas ou marginais e a qualquer hora do dia sabe muito bem o que é isso.
Nas últimas décadas, porém, o problema foi se interiorizando. Com o crescimento da população e da economia, bem como a facilidade do crédito que permitiu às camadas de baixa renda ascenderem ao sonho do carro novo, as cidades de médio porte começaram a experimentar um pouco desse tráfego lento e pesado, com veículos e mais veículos se apertando por suas ruas e avenidas.
Em Franca o cenário não é diferente. Ao contrário, segundo dados do Denatran (Departamento Nacional do Trânsito), divulgados por este Comércio no domingo, 15/01, a cidade é uma das campeãs do Estado em termos de crescimento da frota de veículos. Para se ter uma idéia, em termos percentuais o aumento do número de veículos em Franca (6,8%) supera o de cidades maiores como Santos (4,5%), Bauru (6,3%) e São José do Rio Preto (6,7%). Ainda segundo o estudo, Franca fechou 2011 com quase 200 mil veículos e o número de emplacamentos nesse ano supera o total vendido por nossas concessionárias.
Esses dados, em seu conjunto, são muito bons. Mostram o aquecimento da economia regional, a despeito dos problemas enfrentados por nossa principal indústria. Em suas entrelinhas, é possível perceber um mercado em expansão, com aumento de renda e geração de novos empregos. Porém, geram também algumas expectativas ruins, já que esse aumento de veículos exerce uma grande pressão sobre a segurança de nosso trânsito, um trânsito que já sabemos ser bastante inseguro, se levarmos em conta o número de acidentes e mortes em nossas ruas e avenidas.
Nesse sentido, é muito importante que nossas autoridades estejam bastante atentas a esses números. Como o consumo de veículos não deverá diminuir nos próximos anos e as obras viárias não crescerão na mesma proporção, será preciso concentrar muita energia nos trabalhos de prevenção e fiscalização do trânsito.
Seria importante aumentar as ações educativas, não apenas junto às nossas crianças, em seus respectivos espaços escolares, mas também junto a todos os motoristas, sobretudo aqueles pegos em atos infracionais. Mas é fundamental também que nos debrucemos sobre a revitalização e o planejamento futuro de nossa malha viária, além de uma intensificação nos trabalhos de fiscalização e punição. Se nada for feito, omcenário pode piorar.