Com uma população de 318 mil habitantes e uma frota que beira os 200 mil veículos, Franca alcançou no ano passado um título nada positivo: a cidade foi a segunda mais violenta no trânsito no Estado de São Paulo entre os municípios médios, que têm entre 300 mil e 430 mil moradores. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, foram 52 mortes em acidentes de trânsito no período de janeiro a dezembro, ante as 66 da primeira colocada, Jundiaí.
É como se em todos os meses tivessem ocorridos ao menos quatro acidentes com morte em Franca. Considerando um índice usado internacionalmente, a cidade registrou 16,3 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes — a média brasileira é de 19 mortes no trânsito por 100 mil. Registradas pelo órgão como homicídios culposos (sem intenção de matar), as mortes ocorreram dentro do perímetro urbano e também nas rodovias que estão nos limites da cidade e só foram incluídas no sistema eletrônico de coleta de dados quando constatadas no local dos fatos. Pelas estatísticas, agosto foi o mês com mais mortes no trânsito, oito em 30 dias, seguida de maio (sete). Fevereiro e novembro, com uma morte, foram os meses menos violentos.
Comparados aos dados de outras 11 cidades do mesmo porte, o número de mortes no trânsito em Franca supera o de municípios como Santos e Bauru, ambos com frota maior, e empata com São José do Rio de Preto, que possui frota de quase 308 mil veículos, segundo o Denatran.
Para o secretário de Segurança e Cidadania de Franca, tenente Sérgio Buranelli, responsável pela Divisão de Trânsito, a falta de educação do motorista responde por praticamente 90% dos acidentes. “Os motoristas não estão tendo a responsabilidade e o cuidado necessário para andar em uma cidade em desenvolvimento.”
Segundo Buranelli, o poder público tem feito a sua parte - recapeando ruas e avenidas, renovando a sinalização e instalando semáforos em novos pontos - mas sozinho não tem conseguido evitar as tragédias. Para os próximos meses, seis novas campanhas de trânsito estão sendo planejadas com o intuito de educar e alertar o motorista na direção.
“Faremos campanhas sobre o perigo do uso do celular, a importância do uso do cinto, sobre como transportar crianças com segurança e uma para motoqueiros. Já agora no Carnaval, vamos trabalhar forte na campanha ‘Carnaval não combina com álcool’.”
Na visão do presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e ex-diretor do Denatran, Ailton Brasiliense Pires, o índice de mortes no trânsito em Franca, só será reduzido se houver união entre o município, o Estado e a sociedade civil. “Os números precisam incomodar o poder público e a sociedade, caso contrário a situação só tende a agravar. Não é problema de frota ou malha viária.”