Antes prevenir do que remediar, já vaticina um ditado antigo — e bem correto. Não adianta esperar a doença chegar para curá-la. Deve-se antes tentar impedir que ela se instale. Este é o princípio das vacinas que deveria ser seguido por todos os administradores públicos do País. Em todos os setores, principalmente nos casos de catástrofes ligadas ao clima, deixa-se para atuar depois, após o fato consumado. Mas aí, como se tem visto nos últimos meses — numa clara repetição do que aconteceu em ocasiões anteriores —, tornam-se apenas medidas paliativas que não resolvem para a maioria dos atingidos. Afinal, casas foram destruídas, famílias desalojadas e pessoas foram mortas pela fúria das águas, dos deslizamentos e dos soterramentos.
Deve-se incluir no produto desta conta surreal consequências não só das chuvas mas também da seca que agora prejudica Estados do Sul: quebra na safra, destruição de culturas inteiras que deixam na penúria os que dependem da colheita para saldarem suas dívidas. Ou seja: de um lado, a água causa prejuízos e mata; do outro, a falta dela deixa milhares de mãos abanando, sem o esperado lucro de suas plantações. Junte-se a isso o encarecimento de produtos agrícolas e vê-se que chuva e sol demais mexem com a economia de todo o País.
Quando ocorrem tragédias, como as do Morro do Bumba, em Niterói (abril de 2010) ou da região serrana do Rio de Janeiro (em janeiro de 2011), autoridades aparecem, anunciam verbas para os desabrigados e fica por isso mesmo... Nestes dois casos, sabe-se que se tratava de eventos que poderiam ter sido antecipados. Em Niterói, um bairro inteiro foi construído sobre um lixão e especialistas já tinham afirmado o que poderia acontecer. O mesmo se deu na região serrana. A falta de comprometimento das autoridades para com o bem estar comum foi patente nestes dois casos. E não só aí, mas também nas tragédias que se abateram sobre Santa Catarina — onde, mais de dois anos depois, ainda há flagelados —, no Rio Grande do Sul e mais recentemente em Minas Gerais.
A falta de comprometimento dos que foram eleitos para zelar pela saúde e pela segurança dos seus eleitores não deixa de estarrecer. Já está provado que se gasta menos com obras capazes de evitar estas catástrofes, uma vez que se conhecia a situação de perigo a que populações de todas as regiões citadas estavam expostas. As consequências acabam refletindo no bolso do contribuinte, que vê serem abertas as comportas das verbas oficiais — que muitas vezes acabam ainda desviadas pelos sorvedouros incansáveis da corrupção — para consertar algo que poderia ser evitado. Não adianta inventarem sistemas de prevenção a tragédias. É necessário que estudos sejam feitos para se retirar populações em áreas de risco já mapeadas e a construção de contenções em morros e alargamento de leitos de rios que cortam cidades, além da busca de armazenamento d’água em locais suscetíveis à seca. Desta forma, somente prevenindo as tragédias é que poderemos salvar as populações em riso de serem afetadas por elas.