08 de julho de 2026

Sem sacolas nem hipocrisia


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Na última semana a esmagadora maioria dos mercados de Franca antecipou-se à Lei Municipal que prega a substituição das sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais - a Lei 7.547, promulgada para entrar em vigor em 30 de junho de 2013. Desde o dia 25, sacolas plásticas não estão mais à disposição dos consumidores em vários supermercados e as opções, a partir de agora, são comprar sacolas biodegradáveis, eco-bags, carrinhos de feira, pedir caixas descartadas pelas lojas, ou levar os produtos na mão mesmo.

Ao contrário do que possa parecer, essa antecipação de 18 meses da aplicação da lei não reflete generosidade, mas cumpre acordo firmado, em maio de 2011, entre a Apas (Associação Paulista dos Supermercados) e o Governo, para eliminação das sacolas plásticas a partir de 25 de janeiro.

Muito se deve a estudos ambientalistas acalorados que estimam que a embalagem, com sua vida útil de quase 2 séculos, responda por quase 10% de todo o lixo produzido e seja uma das responsáveis por entupimentos da rede pluvial que resultam nas enchentes. Em resumo: o vilão desse início do século 21, por esse prisma e com esse clima, é a sacola plástica.

O plástico entrou com força no circuito varejista na década de 1980, capitaneado pela fornecedora alemã Basf. Até então, o uso de sacos de papel era lugar-comum. Na década dos descartáveis, a proteção das matas foi palavra de ordem ecológica em detrimento à impermeabilização do lixo: sai papel, entra plástico. Versa a antiga ironia do cobertor curto: cobre-se a cabeça e expõem-se os pés. Devemos pensar sobre ‘quais pés’ serão expostos nessa recente onda de proteção ambiental para não cairmos na gozação das próximas gerações.

Convenhamos: sair de um supermercado com a consciência ambiental tranquila, comprando e levando sacos reciclados de lixo (plásticos) nas caixas ‘de papel’, ‘doadas’ pela loja e continuar a pagar R$ 0,03 por sacola inexistente, soa tão hipócrita quanto a ‘ecologicamente generosa’ economia de meio bilhão de reais propiciada aos supermercados paulistas (calculada pela Apas), com a extinção das sacolas.

Em várias cidades do País, o Procon está entrando com ações para da devolução desses valores. Sem retirar os méritos da iniciativa, muito menos a necessária preocupação com o meio ambiente, pesa mais uma questão: as sacolas biodegradáveis, produzidas com amido de milho -abundante no Brasil -, ofertadas aqui por R$ 0,19, são vendidas na Europa por R$ 0,18 com ‘o dobro do tamanho’.

Fica o alento, e vale o destaque, para o redator da ‘lei das sacolinhas’, que foi feliz em sua escolha de palavras: ‘... terão prazo até 30 de junho de 2013 para ‘substituir’ as sacolas de plástico comuns e as de oxi-biodegradáveis ‘por sacolas biodegradáveis’’. Vender não é substituir, extinguir não é substituir e caixa de papel não é sacola biodegradável. Pelo menos em Franca, daqui a 17 meses, vamos economizar ecologicamente, de verdade, e sem hipocrisia.