Pedintes por todos os lados, pequenos furtos no comércio, nas ruas, dentro de casa. O dinheiro dessas ações quase sempre tem o mesmo fim, a compra de drogas. O consumo de entorpecentes está disseminado em todo o país, em todos os níveis sociais. E em Franca não é diferente. O vício, filosoficamente um problema íntimo, tornou-se um mal social. E as autoridades ainda batem cabeça tentando resolver a questão. Um caminho começa a ser traçado, aparentemente o consenso é que as drogas devem ser tratadas como elas realmente são, um câncer.
Segundo a filosofia cristã, o ser humano trava uma luta íntima entre vícios e virtudes, sendo que as últimas, de acordo com tal crença, o aproxima da perfeição. Fé à parte, o fato é que o vício deixou de ser um problema entre o céu e a terra para tornar-se um verdadeiro inferno entre os humanos.
O crack, uma droga barata e com poder muito mais viciante que as tão populares cocaína e maconha, dominou as ruas e também invadiu os lares mais abastados. Reportagens do Comércio nessa última semana mostraram como uma pequena pedra toma proporções de uma imensa rocha e aniquila vidas. Uma jovem de vinte e poucos anos procurou ajuda em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício. A história poderia ser só mais uma, mas não, foi manchete do jornal. Por quê? Porque ela está grávida do terceiro filho.
Porque perdeu a guarda dos outros dois. Porque talvez tenha engravidado três vezes sobre os efeitos da droga. Porque quase metade de sua ainda tão breve vida foi regida pelas drogas. Agora ela luta para que tenha às suas mãos o controle da própria vida.
Enquanto alguns buscam ajuda, muitos perambulam pela cidade. A avenida Major Nicácio, na região da Vila Santa Cruz, é a cracolândia de Franca. Tomadas as devidas proporções, o que a mídia retrata sobre a cracolândia paulistana está repetido aqui, em nossos quintais. Homens e mulheres, na maioria jovens, protagonizam um frenético e insensato vai e vem esmolando uma ou duas moedas para comprarem a tal pedra. Quando não conseguem dinheiro, partem para o crime. Pequenos furtos realizam.
Nessa mesma semana, a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) anunciou o desmantelamento do comando do tráfico da cidade. A última peça detida foi um advogado. As provas contra ele, cartas com ordens do chefe preso para o novo comandante. A conclusão a que se chega é que prende um e surgem dois ou três novos traficantes. Essa sensação é corroborada pelos chefes de polícia. Comumente os ouvimos dizendo que o trabalho que desempenham é como o das formigas, sem fim.
Assim, com o alto poder de regeneração do tráfico, o combate aos criminosos se apresenta como uma medida paliativa e, sozinha, ineficaz. É preciso também exterminar a fonte que alimenta essa cadeia. É preciso matar o vício.
Não pensando em chegar à perfeição, mas com vistas a uma sociedade mais segura. O próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse na última sexta-feira que não é papel da polícia fazer abordagens a usuários e dependentes de drogas. Esta é uma questão de saúde pública. À polícia cabe combater o tráfico. Nesta soma de forças talvez esteja a solução para este grave problema.