As buscas pela jovem Mayellen Eduarda Silveira, 21, desaparecida desde a madrugada de sexta-feira após cair com um Corolla no Córrego dos Bagres, já ultrapassaram 48 horas. Durante toda a manhã e tarde de sábado, quatro homens, comandados pelo sargento Cléber Teixeira, percorreram cerca de 15 quilômetros no leito do córrego. No caminho, enfrentaram pedras, animais mortos, ratos, mato alto e fechado e a água poluída. Até às 19h30 de ontem, quando os trabalhos foram suspensos, ela não havia sido encontrada. O trajeto das buscas traçado na sexta-feira, do Posto Galo Branco até o pontilhão da Rodovia Cândido Portinari para Restinga, foi refeito.
As buscas começaram por volta das 8 horas. Os quatro soldados e o sargento, equipados com capacetes, luvas, roupas especiais de mergulho e colete salva-vidas, traçaram um objetivo: vasculhar o córrego até a altura do quilômetro 10 da Portinari até às 18 horas - quando o dia ainda está claro. Os trabalhos foram reiniciados na área urbana, contando com a ajuda do tempo -as chuvas não atrapalharam. “As buscas estão concentradas nessa área por conta da correnteza estar mais baixa e por ter muitos poços”, explicou Teixeira.
Obstáculos não faltaram. O leito oscila locais rasos, com muitas pedras, e poços com até seis metros de profundidade. Em área fundas, a flutuação é favorecida. “A gente tem que ir em pé em meio a muitas pedras. A região, geologicamente falando, é de muitas pedreiras, então há o risco de se quebrar um membro, torcer um tornozelo.”
Em vários trechos, a água do córrego tem cheiro forte de esgoto. Próximo a um curtume, a correnteza é escura, com espuma branca. Em alguns locais, foi preciso evitar a água e utilizar os barrancos para a locomoção. “Em outras situações nos deparamos com animais mortos, ratos, cachorros. É um trabalho difícil”, completou.
Para encontrar a jovem, a principal arma é o tato. “Nós utilizamos nosso próprio corpo, as mãos, os pés, para quando em contato com algo, que a consistência nos chame a atenção, acabamos fazendo uma pesquisa e procurando contato visual com o objeto para saber do que se trata.”
Por volta das 14 horas, eles alcançaram um pesqueiro, e pararam para almoçar. O pai da jovem esteve no local conversando com os bombeiros. Angustiado, voltou à sua casa para esperar. Após o descanso, os quatro soldados voltaram para a correnteza, enquanto o sargento coordenava as buscas do quartel. Por mais alguns quilômetros, havia muita mata fechada, pedras e uma queda de água de mais de 10 metros de altura.
Segundo Teixeira, os trabalhos da corporação visam um final positivo, com a vítima, no máximo, machucada. Porém, ele avalia a situação de forma realista. “Na circunstância atual, se a gente localizar ela às margens, acredito que tenha muito pouca chance dela estar com vida. A experiência de muitos anos de profissão, quase 20 anos, nos dá um parâmetro para dizer que, nas primeiras 48 horas, de acordo com a temperatura da água, se o corpo dessa garota estiver em um local mais profundo, ainda vai continuar submerso.” Segundo o sargento, um corpo pode levar de 48 a 60 horas para boiar.
Com o longo trajeto percorrido e o dia escurecendo, os trabalhos foram suspensos às 19h30, no local combinado. As buscas serão retomadas neste domingo, com um novo planejamento. “A logística vai ser estudada novamente para saber se reiniciamos do ponto de onde a gente começou, ou se essas buscas têm que ser realizadas do ponto em que paramos”, explicou Teixeira.
Todos os detalhes da busca estarão disponíveis no Portal GCN (www.gcn.net.br) ao longo deste domingo.