08 de julho de 2026

O caso de Limeira


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O Ministério Público abriu inquérito criminal para apurar ameaças recebidas via e-mail por jornalistas de Limeira ligados a três veículos locais, entre eles o ‘Jornal de Limeira’, da Rede APJ – Associação Paulista de Jornais

A notícia foi publicada na quarta-feira e repercutiu em todo o País. Ameaça à imprensa é grave e deve ser denunciada. O livre exercício do ofício é assegurado em qualquer parte do mundo civilizado e democrático e deve ser preservado. Está em jogo o direito do cidadão de ser bem informado. Liberdade de expressão é o oxigênio da democracia. E não se vive plenamente essa liberdade com coações de banditismo como aparenta o conteúdo das mensagens de autoria desconhecida recebidas por colegas de Limeira.

Na sexta-feira, a APJ se manifestou de maneira vigorosa por meio de nota oficial assinada pelos diretores Fernando Salerno e Renato Zaiden, respectivamente responsável pelo Núcleo Editorial e de Liberdade de Expressão e presidente da entidade. A nota foi publicada em conjunto nos 15 jornais associados que formam a Rede APJ. São jornais líderes regionais de credibilidade e tiragem auditada equivalente à de um grande jornal de circulação nacional.

No documento, a APJ pede a investigação do crime de ameaça e, independentemente da origem, manifesta-se “com veemência contra a tentativa torpe de calar a imprensa local com atos de incivilidade”. Segundo a entidade, a ética jornalística e a Justiça asseguram meios de resposta e de responsabilização civil pela divulgação de informações.

Apuração
Em novembro último, ação do MP em processo por suposto enriquecimento ilícito resultou em prisão da esposa, filhos, parentes e pessoas próximas ao prefeito Silvio Félix (PDT). “Alguém está interessado em calar a imprensa. As intimidações serão investigadas”, mencionou o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, na abertura do inquérito. O MP vai buscar a autoria dos e-mails por meio de rastreamento de órgãos especializados na área digital. A investigação – é preciso deixar claro – não abrange o nome do prefeito Félix.

O telefone toca
Cerca de quatro milhões de paulistanos receberão, até esta terça-feira, véspera do aniversário da cidade, ligações por telefone com orientação sobre o controle da dengue. É uma ação da Prefeitura de São Paulo para conscientizar a população e passar dicas de prevenção à doença. A mensagem está sendo enviada pelo serviço 156 para telefones fixos e celulares e alerta quanto à importância de não deixar água parada, colocar os pneus sem uso em lugar coberto, virar garrafas e latas com a boca para baixo, ver se a caixa d´água está bem vedada, entre outras orientações. A campanha é meritória. “A dengue é uma doença muito séria. Chamamos toda a população para que nos apoie e continue esse trabalho conjunto”, afirma a coordenadora do programa, Bronislawa de Castro. Um dos desafios da equipe é não gerar o efeito inverso, ou seja, a antipatia da população. No início de janeiro, moradores reclamaram que estavam sendo acordados de madrugada para ouvir as mensagens gravadas. Semana passada, empresas constataram o recebimento sistemático de chamadas dezenas de vezes seguidas, como se o sistema tivesse enlouquecido. Em ambos os casos, a Prefeitura respondeu que os problemas haviam sido resolvidos e que “os moradores que não queiram mais receber a ligação, basta entrar em contato com a Prefeitura”.

Pólos regionais
Uma pesquisa do Ibope na capital paulista, divulgada na última quarta-feira, mostra que 56% dos 1.512 entrevistados mudariam de cidade, se pudessem. A nota geral para a qualidade de vida na cidade é de 4,9. Em 2010, a nota era de 5,0. A sensação e insegurança saltou de 24% para 35%. A preocupação em ser atropelado subiu de 12% para 17%. O especialista em urbanização Sérgio Guimarães Pereira Júnior afirma que São Paulo tem erros históricos de urbanização. “Pagamos até hoje pela visão errada de crescimento da cidade.” A tendência, segundo ele, é a criação de novos pólos regionais, que incentivem as economias locais dos bairros, oferecendo moradia, trabalho e lazer num mesmo local. A pesquisa foi encomendada pelo movimento Rede Nossa São Paulo, criado em 2007, formado atualmente por cerca de 600 organizações da sociedade civil. A rede é apartidária, não tem presidente nem diretoria e se constituiu e se expande de forma horizontal.

Lei Antiácool
Balanço da Secretaria de Saúde do Estado a respeito dos dois primeiros meses da Lei Antiálcool para menores aponta 431 multas aplicadas (a maioria bares, restaurantes, padarias e lanchonetes) e 99,3% de adesão dos estabelecimentos vistoriados. Houve multas nas regiões de Ribeirão Preto, Alto Tietê, Franco da Rocha, Araçatuba, Araraquara, Campinas, São José do Rio Preto, Bauru, Franca, Marília, Sorocaba, ABC, Barretos, Baixada Santista, Presidente Prudente, Piracicaba, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e na capital. Desde 19 de novembro foram realizadas 59.916 inspeções em pontos do comércio no Estado.

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br