09 de julho de 2026

Liberação de corpos demora até 12 horas


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‘CULPADO’ - Fachada do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) no Cemitério Santo Agostinho: expediente do órgão é alvo de reclamações

A liberação do corpo de uma pessoa morta por causas naturais pode demorar até 12 horas em Franca. Segundo representantes das funerárias da cidade, a demora é causada pelo horário de trabalho no SVO (Serviço de Verificação de Óbito), gerenciado pela Prefeitura.

O expediente dos médicos legistas é das 6 às 22 horas. As famílias de pessoas que morrem fora desse intervalo têm de esperar até que os trabalhos recomecem. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, o expediente foi definido para evitar possíveis problemas com documentos (leia texto nesta página).

Desde o reinício do funcionamento SVO no ano passado, o tempo de liberação de corpos para serem velados quase dobrou. De acordo com as funerárias, antes disso, demorava-se seis horas desde o recolhimento do corpo até a liberação para a família. José Reis Pinheiro Garcia, gerente da Funerária São Francisco, afirma que os médicos legistas atendiam a qualquer hora do dia. “A gente ligava para o médico e ele vinha na funerária para liberar o corpo, independente do horário.”

Antes, os corpos eram levados para salas das próprias funerárias, e os médicos legistas iam até o local para examinar. Agora, os mortos devem permanecer nas salas especiais do SVO. “Nós levamos o corpo para o SVO, deixamos lá com a ocorrência, tudo direitinho. É feito um cadastro de entrada desse corpo”, explicou Gerson Trovatto, gerente da Funerária Nova Franca.

As empresas reclamam que o novo formato de trabalho tem as sobrecarregado. Segundo Garcia, como os corpos de quem morrem à noite, depois das 22 horas, são liberados somente de manhã, eles se juntam aos das mortes da madrugada e da manhã.

O gerente diz que quando dois corpos são liberados pela manhã, por exemplo, é preciso que pelo menos dois funcionários a mais ajudem nos preparos. Trovatto concorda. “Como nós nos acostumamos com a liberação um pouco mais rápida, até para a funerária causa transtornos, porque requer mais tempo e hora extra para funcionários.”

Com a demora, surgem também os problemas com as famílias. “Nem sempre a família entende sobre lei nessas situações. É uma hora difícil, uma hora de dor (...) A família pede para liberar daqui uma hora, só que não tem como. Enquanto o médico não fizer a certidão de óbito, atestar, eu não posso mexer no corpo”, explicou Carlos Lima, gerente da Funerária Tedesco.

Assim como o SVO tem horário limitado para funcionar, os cemitérios também. Os três da cidade - da Saudade, Santo Agostinho e Jardim das Oliveiras - realizam sepultamentos somente até as 16h30. A explicação é que o expediente termina às 17 horas. Juntos, fazem em média 170 enterros mensais.