Num desses dias, no final do ano, por um momento ela lembrou algumas canções, que talvez nem sejam as suas preferidas, mas gostou, cantou, riu e até chorou. Assim:
“Tem dias em que eu fico pensando na vida...”
A sua infância, a família, a cidadezinha onde nasceu, as amigas, o primeiro namorado, o beijo roubado, a primeira desilusão. E pergunta a si mesma:
-”A vida tem sempre razão? Sei lá...”
“A estrela Dalva no céu desponta...”
E ela pede assim:
-Primeira estrela que vejo, dá-me o que desejo.
Faz seu pedido e espera. Se alcança? Às vezes.
“Aqueles olhos verdes...”
Ela tem saudade dos seus olhos verdes mas só aos seus olhos ela era bonita. Hoje, os seus olhos se escondem e ninguém mais os vê. Por que será?
“Bandeira branca, amor...”
E pensava que era mesmo só amor, mas a vida lhe ensinou que só amor não bastava. E vieram desamor e desilusão. Que pena!
“Sapato de pobre é tamanco...”
Em tempos idos ela usou tamanco, botinas e até alpargatas; hoje, sapatos ortopédicos que mesmo não sendo bonitos são macios, gostosos de calçar, aliviando joanetes e esporão.
“Adeus ano velho, feliz ano novo...”
Recordando o ano que passou e esperando o ano que começa ela agradece a Deus. E a vida continua...
Agora o recadinho para toda a gente, antes que janeiro termine:
“Feliz ano novo”.