Acontece essa semana, em Novo Hamburgo, o Fórum Social Temático - Sustentabilidade Urbana, que visa apresentar alternativas e propostas de ações que promovam o desenvolvimento sustentável nas cidades. Acontece em um momento oportuno, com a aproximação da conferência para o meio ambiente da ONU (Rio+20) e das eleições municipais.
Discutir uma plataforma de propostas para termos cidades mais sustentáveis é fazer uma abordagem profunda das diferentes áreas da gestão pública que envolve de maneira integrada as dimensões social, ambiental, econômica, política e cultural. Colocar em prática políticas de sustentabilidade urbana é uma questão de sobrevivência para algumas comunidades locais e de preocupação para com as gerações futuras que, certamente, receberão como legado um mundo mais limitado na sua capacidade de garantir a sua sobrevivência.
Por isso a enorme preocupação da sociedade organizada e das entidades públicas em garantir essa discussão e a elaboração de propostas que garantam um processo de construção de cidades mais justas, mais democráticas e sustentáveis. É no embalo da preocupação mundial que muitas pessoas começam a questionar esse processo em nossa Franca.
O atual governo, que entra na sua reta final, nada fez para desenvolver esse processo aqui. No ordenamento jurídico urbano, tudo permanece inalterado, havendo de moderno apenas as leis que foram aprovadas no governo do ex-prefeito Gilmar Dominici. No tema econômico o governo foi tímido demais, não oferecendo condições objetivas para a discussão sobre os rumos da nossa economia. É sabido que a indústria calçadista diminui seu tamanho e importância (seja por causa da concorrência mundial, seja pela escassez de mão de obra decorrente do fato de que a juventude atual não quer mais o ‘chão de fábrica’). No plano social não criaram políticas locais que garantissem a inserção social permanente dos segmentos vulneráveis. Tudo que se fez foi dar continuidade às ações iniciadas no governo anterior e exigir que as entidades assistenciais se enquadrassem na legislação federal. Nada se fez com inovação e criatividade que pudesse melhorar a mobilidade social. Aliás, o que mais vemos é o aumento assustador de jovens perambulando pelas ruas, vitimados por vícios e pela ausência do poder publico municipal. O governo municipal, por alguma razão subliminar, não soube aproveitar os milhões de reais disponíveis no governo federal para programas em parcerias.
Na educação, não se avançou na integração do ensino com atividades complementares que garantiriam uma cidadania repleta de formação e informação. O pensamento educacional moderno defende o compromisso com o início da implantação de escolas em período integral e, aqui, parece faltar interesse e determinação do prefeito. Discutir o futuro da nossa cidade é necessário e temas importantes, como os que citei, como o transporte público, têm urgência. Aliás, é de extrema falta de criatividade e de olhar futuro, gastar tanta energia no convencimento da construção do viaduto quando, nem sequer, temos um planejamento de trânsito e de transporte público. Nossa cidade é grande e importante demais para pensarmos tão pouco.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário