08 de julho de 2026

Correr para onde?


| Tempo de leitura: 3 min

Jardim Palestina, Santa Cruz, Cidade Nova, Paraíso e rodovia João Traficante. O que essas regiões têm em comum? Numa análise superficial, pouca coisa. Elas não ficam próximas umas das outras, seus moradores são de classes sociais diversas, sua vocações comerciais e industriais são diferentes. Mas uma leitura mais atenta de matérias publicadas pelo Comércio nos últimos dias vai deixar claro um traço comum indesejado entre essas regiões. As populações destes cinco locais são unidas por um drama cada vez mais comum: a insegurança gerada pelas ondas de assaltos. A violência está espalhada por todos os cantos. Ultrapassou os limites da cidade, chegou à zona rural. Os assaltantes nem escolhem suas vítimas. Seja rico ou pobre, o francano tornou-se refém do medo.

O temor de que uma simples saída de casa se transforme num tormento impera entre muitos. No Palestina, segundo moradores, os assaltantes fazem rondas pelas ruas à procura de alvos. Para sair de casa, uma moradora chegou ao ponto de se esconder dentro do carro. “Meu marido saiu no horário de sempre para trabalhar para não levantar suspeitas. E para que os bandidos não descobrissem que eu estava junto, me deitei no banco traseiro. Se não faço isso, eles entram”, disse a mulher ratificando o absurdo do nível que a insegurança atingiu no bairro: quem se esconde agora são os cidadãos de bem.

Os bandidos? Pelo contrário. Eles se exibem e ostentam os produtos levados das casas. “Saí de casa e vi um dos marginais com os tênis do meu filho nos pés e outro ouvindo música no rádio cor de rosa da minha filha que furtaram. Eles me olharam e deram risada’’, indigna-se uma moradora.

O sossego, que outrora era um dos atrativos do Palestina, foi embora junto com um traficante preso recentemente. A sórdida afirmação vem dos próprios moradores que se sentiam mais seguro com a presença de um “inimigo”. “Com ele lá, os outros bandidos respeitavam mais”, é fala corrente entre os moradores.

Do Palestina ao Paraíso há um salto econômico enorme. As mansões do segundo nem de perto lembram as moradias simples do primeiro. O que os une? O medo. No Paraíso vive a classe mais abastada de Franca. E lá também está presente a insegurança. Do começo do ano até agora, a onda de assaltos amedrontou tanto as famílias que uma guarita foi instalada em uma rua do bairro. Um guarda contratado pelos próprios vizinhos faz a vigia. O pavor que levou à contratação de segurança particular é refletido em números. De 12 casas de uma única rua, dez foram furtadas nos últimos meses.

Correr? Se refugiar em sítios e condomínios fora da cidade? Não adianta. A violência é intensa e os bandidos atuam também na zona rural. As margens da Rodovia João Traficante, entre Franca a Ibiraci, se tornaram pontos de perigo. Uma dona de casa teve sua chácara furtada cinco vezes nos últimos meses. Já investiu R$ 30 mil em segurança, mas não adiantou.

No Santa Cruz, usuários de droga assombram a população. Pequenos furtos são frequentes. No Cidade Nova, a escola “Antônio Sicchierolli” também foi alvo de assaltantes. E mais: segundo os vizinhos, tornou-se esconderijo dos bandidos.

Para onde ir então? O que fazer? Como agir para amenizar esse problema? A resposta, espera-se, deve vir das autoridades responsáveis por garantir a segurança da população. É inadmissível imaginar que os moradores de Franca sejam obrigados a se trancar em casa, para se protegerem. Até porque nem isso adianta. Os bandidos estão tão ousados que invadem residências em plena luz do dia, com os moradores em casa. O que só aumenta o risco. É hora de dar um basta na violência que se espalha e tem deixado cada vez mais os francanos reféns do medo.