Um pedaço da Itália toma conta de Franca. O restaurante Villa Mansuetto realiza, desde ontem, jantares italianos especiais com o chef de cozinha Alessandro Schiavon. Natural de Pádua (em italiano, Padova) e com experiência em cozinha de restaurantes de diversos países, Schiavon foi convidado pelo amigo e proprietário do restaurante, Pedro Lemos, para trazer a Franca o melhor da culinária italiana em três noites. Hoje e amanhã, o chef apresenta um cardápio com a verdadeira base da comida italiana. No menu, a tradicional pasta caseira, risoto italiano, carnes, peixe e um prato vegetariano. “Preparei um cardápio delicado, com sabores clássicos, que espero que surpreenda as pessoas ao final do jantar”.
Em sua segunda visita ao Brasil, Schiavon diz estar curioso com as mudanças que o país sofreu em relação ao desenvolvimento da gastronomia. “Vim ao Brasil pela primeira vez há seis anos, com meu amigo Pedro. Nos conhecemos em Londres, na época em que trabalhava lá. De seis anos para cá, vejo que o cenário gastronômico mudou muito no Brasil. É um mercado que está em expansão. Hoje em dia, a classe média brasileira sai de casa para comer, para buscar os sabores da gastronomia, coisa que não acontecia há seis anos atrás. A cozinha sofisticada era voltada para pessoas de níveis sociais mais altos”.
Nos jantares oferecidos pelo chef em Franca, a aposta é trabalhar os sabores italianos de forma simples. Especialista em culinária italiana, Schiavon diz que o mercado brasileiro não exige sofisticação demasiada para a criação dos pratos. “Já viajei para muitos lugares e percebi isso (a diferença na forma com que o público encara a gastronomia). Há locais sofisticados demais, e o Brasil por natureza é diferente disso. Basta pensarmos na culinária brasileira, é uma comida simples e maravilhosa. Aliás, amo comida brasileira. Adoro farofa e meu prato predileto brasileiro é carne de lata. Acho muito interessante a forma como a carne é preparada”.
Modesto, Schiavon diz que não há necessidade de muito esforço para comer bem e aprender a cozinhar bem na Itália. “Temos muita sorte. não precisamos ir a restaurantes, porque nossas mães cozinham melhor”, brinca. É à mãe, aliás, que Schiavon atribui a base que teve no começo da carreira. “A culinária dentro de casa é fundamental, porque é a partir dela que conseguimos criar bons pratos”.
Os meios que levaram Schiavon para a cozinha são curiosos. Pádua, na Itália, além da cultura é famosa por ser próxima a pontos que possuem poços de águas termais, que desde o império romano são tidas como águas de poder medicinal. Como o local atrai inúmeros turistas, a cidade abriga muitos hotéis. E foi em um desses hotéis que Schiavon cresceu, uma vez que seu pai trabalhava na rede hoteleira da cidade. “Sempre fui fascinado por esse tipo de vida, as piscinas dos hotéis, os quartos, a cozinha... Escolhi meio que por brincadeira trabalhar com a cozinha no começo, mas depois realmente me apaixonei”. Ele tinha 13 anos quando começou a trabalhar no hotel de Pádua. A renda servia de auxílio aos pais para pagarem a escola que Schiavon frequentava.
Aos 16 anos, mudou-se para o litoral da Itália, que devido à grande demanda de restaurantes, fez com que Schiavon ganhasse experiência no ramo. Aos 18 anos, a decisão que, segundo ele, mudou sua vida, foi tomada. Foi para Londres, onde passou a trabalhar em restaurantes especializados em cozinha italiana. “O mercado em Londres é muito competitivo. Foi lá que encontrei meu amor, minha paixão pela cozinha.”.
No auge da carreira como chef de cozinha, Schiavon faz de sua profissão uma verdadeira arte. Para ele, a comida deve ser tratada como um deus. Foi assim que aprendeu, desde pequeno, na Itália, a lidar com os alimentos. “É importante que você saiba realmente o que está fazendo com a comida. É ela que vai fazer seu corpo reagir de alguma forma. A comida é vida. Se não há comida, não há vida. Então, a gastronomia também é vida. É importante preocupar-se com isso. Por isso, gosto de espalhar essas ideias pelo mundo, de levar a gastronomia e mostrar às pessoas o melhor da alimentação.”.
Cada noite do jantar tem 25 mesas disponíveis para reserva, o que corresponde a 50 pessoas, uma vez que a disposição dos lugares é feita para casais. As opções do jantar serão feitas a partir do menu pré concebido por Schiavoni, e cada casal terá direito a uma garrafa de vinho frânces ou italiano.
SERVIÇO
Jantar Italiano Villa Mansuetto
Data: 27/01 e 28/01/2012
Local: Av. São Vicente, nº 5.731.
Reservas: (16) 8191-7749 ou (16) 9102-3733