08 de julho de 2026

A disputa pelo meio milhão


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Franca assistiu nos últimos 40 dias a um embate acirrado pela presidência do Sindicato dos Servidores Públicos. Troca de acusações, pichação em calçada, ações na Justiça, sindicalista machucado e tentativa de intimidar a imprensa a gritos e agressões. Em disputa, além do objetivo primeiro da entidade - a defesa dos interesses dos funcionários municipais -, estava o comando de um orçamento anual de quase meio milhão de reais. O presidente da entidade ainda tem o direito de se licenciar de suas funções na administração pública e continuar recebendo seu salário.

O empenho dos candidatos foi completamente oposto ao dos servidores municipais, que deveriam ser os principais interessados na eleição de seus representantes. O primeiro capítulo da disputa começou antes mesmo de ela começar. A candidatura oposicionista de Luiz Fernando Nascimento só foi possível graças a uma decisão da Justiça. O sindicato - presidido por José Nhozinho Sales Ramos, o Paraná, que disputava a reeleição - indeferiu o registro da chapa concorrente. A alegação foi que ‘integrantes da chapa opositora estavam com o saldo devedor aqui na entidade’, como justificou Paraná, que até então era também o presidente da Comissão Eleitoral. Mas uma liminar garantiu o pleito e exigiu a nomeação de outra pessoa para conduzir as eleições.

Com os concorrentes devidamente inscritos, teve início o processo eleitoral. E as trocas de acusações. Mas, a eleição chegou ao fim sem um presidente eleito. A caça animalesca pelo principal posto da entidade foi impossibilitada pela indiferença dos representados. Todo o processo foi em vão. Votaram 620 sindicalizados, enquanto que o mínimo exigido pelo estatuto era de 649 servidores. Estavam aptos a votar 1.296 servidores ativos e inativos. Nova eleição foi marcada para o início desta semana. E as acusações deram lugar às agressões.

Logo na segunda-feira, um sindicalista surgiu em frente à sede da entidade com o nariz sangrando e um hematoma no rosto. Durante a apuração, já na quarta-feira, nem o temporal que caiu sobre Franca foi suficiente para acalmar os ânimos dos sindicalistas. A oposição alegou incongruência em assinaturas nos documentos do pleito e uma discussão generalizada se formou. O fotógrafo do Comércio tentava registrar a confusão e foi agredido por um sindicalista. A chapa opositora abandonou a contagem dos votos, escoltada pela Polícia Militar, e foi à delegacia denunciar a suposta fraude no pleito. Paraná foi reeleito com 502 votos contra 188 da chapa opositora.

Mas a disputa não terminou com a reeleição do atual presidente. A chapa derrotada solicitou na Justiça do Trabalho a suspensão do pleito. Novo capítulo da luta pelo meio milhão há de vir.

Enquanto isso, alheios à briga pela presidência do sindicato, os servidores municipais foram beneficiados com um bônus de final de ano de R$ 1 mil cada um. A participação do sindicato nesta conquista? Publicamente nenhuma! Entretanto, a aparente omissão da entidade não deve ser tratada da mesma forma pelos seus representados. Os funcionários públicos devem ficar atentos ao sindicato e a esta disputa que se arrasta há quase dois meses. Afinal, os seus interesses nas mesas de negociações para implantação de benefícios e reajuste salarial, por exemplo, serão defendidos pelos os que hoje brigam entre si. E mais: é de seus bolsos que saem os cerca de R$ 460 mil do orçamento anual do sindicato. É muita briga e muito dinheiro em jogo.