09 de julho de 2026

Campanha quer vacinar 5,8 mi contra hepatite B até fevereiro


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A rotina puxada de trabalho e outras atividades que consomem tempo têm acarretado uma carência de pessoas disponíveis para os trabalhos voluntários nas entidades assistenciais de Franca. A inserção da mulher no mercado de trabalho, por exemplo, exige que elas conciliem o papel de profissional, mãe, mulher casada e dona de casa e impede, muitas vezes, que encontrem tempo para o trabalho voluntário.

Fernando Campos, presidente da Aeaf (Associação das Entidades Assistenciais de Franca), que atua nesta instituição desde 2000, disse que houve uma mudança de comportamento nos últimos anos. “Hoje, a mulher precisa trabalhar fora para ajudar no orçamento da casa e isso, de certa forma, dificulta e até impede que ela desenvolva trabalhos voluntários em alguma entidade”, disse.

Fernando ressalta que existem muitas pessoas dispostas a ajudar e que realizam trabalhos importantes de filantropia em Franca, mas a cidade tem necessidade de mais voluntários porque os que trabalham acabam sobrecarregados. “Para se ter ideia, a Feira da Fraternidade deste ano durou cinco dias e muitas das 30 entidades participantes trabalharam com a mesma equipe todos os dias. É uma exigência muito grande e, às vezes, a pessoa desanima.”

No Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, no Bairro Santa Mônica, atuam cinco voluntários. A instituição já contou com uma equipe bem maior. “Já tivemos de dez a 12 voluntários fixos. Hoje temos cinco que estão conosco sempre e outros quatro que aparecem com menor frequência. E voluntário sempre faz falta”, disse a coordenadora do Lar, Luciane Goulart.

O Lar atende 19 idosos com idades entre 62 e 92 anos, que precisam de atividades desde que acordam, às 7 horas, até quando se recolhem, às 21h30.

A Caminhar atende 120 pacientes com paralisia cerebral e tem 14 funcionários. Poucos voluntários estão ativos. “Sentimos dificuldades porque muitas pessoas têm vontade de ajudar, mas começam os trabalhos e interrompem”, disse a tesoureira Elizabete Salloum.

A coordenadora da Caminhar, Ana Estela Checchia, disse que profissionais que se oferecem para atendimento voluntário normalmente estão em busca de se inserir no mercado de trabalho. “O voluntário é aquela pessoa que tem estabilidade financeira e quer ocupar parte do seu tempo com atenção ao outro. Mas a maioria que nos procura está procurando é um emprego. Quer começar como voluntário com a intenção de ser contratado no futuro.”

Para a empresária Aleni Papacídero, da ONG Cão que Mia, conseguir apoio para cuidar de animais resgatados das ruas é um desafio ainda maior. Ela realiza o trabalho na ONG há oito anos e há pelo menos cinco anos conta com o mesmo grupo de oito voluntárias, que abrigam mais de 200 cachorros e gatos. “Muita gente liga, fala que vai ajudar, aparece um dia e não volta mais. Falta comprometimento e perseverança porque ser voluntário é um trabalho árduo.”