08 de julho de 2026

Enem mais transparente


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Em seus primórdios, o Enem era simplesmente um exame para se avaliar o conhecimento dos alunos que findavam o ensino médio. O intento da avaliação era compreender o nível em que se encontrava a maioria dos alunos e com isso conseguir subsídios para poder melhorar essa fase da formação escolar.

Com o tempo, o exame foi se aprimorando, como ocorre com qualquer processo de avaliação, cada vez mais necessário nos dias de hoje. A despeito das conotações políticas que foram permeando as suas várias mudanças, o Enem foi se efetivando como uma avaliação importante para se pensar a evolução do sistema educacional brasileiro.

Em determinado momento, porém, passou a ter outro tipo de status. Além de medir o conhecimento dos alunos, passou também a classificá-los, premiando os primeiros lugares com vagas em universidades públicas, sem a necessidade do desgastante vestibular.

Obviamente, passou a ter outra conotação aos olhos dos alunos e de seus familiares, como também de toda a sociedade, ganhando em expressão e relevância. Ficou tão importante que se transformou em objeto de golpes e falcatruas, com muita gente tentando fraudar suas provas para obter mais facilmente as benesses da vaga em uma instituição de ensino superior pública.

Nesse sentido, ganhou ares de concurso público e como tal precisa agora rever alguns de seus conceitos para se tornar mais transparente junto a toda a opinião pública brasileira.

Além de colocar novamente em discussão os seus critérios de avaliação, é preciso também repensar a correção e encontrar um modo de abri-la a quem desejar conferir sua nota e seu desempenho.

Do jeito que as coisas estão, passa-se a impressão de que há ‘algo de podre no reino da Dinamarca’, como diria Shakespeare. Nas últimas semanas, vários alunos entraram na Justiça para conseguir ver suas provas, uma vez que o edital do Enem 2011 não prevê a possibilidade de recurso e não permite que o aluno veja sua prova.

Os pedidos estão pipocando em todos os estados. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao Ministério da Educação e responsável pela realização do Enem, 71 alunos já pediram na Justiça vistas da provas e um deles teve sua nota alterada, o que chama mais ainda a atenção, pois mesmo sem ver a prova, sua redação saiu de 0 para 880 pontos, uma alteração que deixa sérias dúvidas sobre a forma e a qualidade da correção.

Por enquanto a Justiça está exigindo que o Inep apresente essas provas. Porém, é de se esperar que o Inep vá mais além, buscando o constante aperfeiçoamento do exame e uma total transparência em sua realização, como também às correções de suas provas, sobretudo nesse momento em que ele acabou se transformando em um verdadeiro passaporte para a universidade pública.