Bob é um cachorro vira-lata super tranquilo. Na tarde de ontem, ficou agitado e não parava de pular sobre a porta de vidro lateral da casa em que mora, no bairro Santa Adélia. A empregada da família disse que a impressão era que ele queria “falar” que alguma coisa fosse acontecer. Aconteceu. O cão ainda latia quando o muro de arrimo de um terreno vizinho desabou.
A água e a lama invadiram a casa e atingiram todos os cômodos. O alagamento alcançou um metro de altura. Móveis, roupas e aparelhos eletrônicos foram destruídos. A família não estava em casa. Quando chegou, encontrou o cenário de destruição. “A gente fica perplexa. A ficha não caiu ainda. A percepção num primeiro momento é de desolação, mas agradecemos a Deus por nenhuma vida ter sido levada. Felizmente, tivemos muita ajuda dos amigos. Agora é reconstrução, não tem outro jeito”, disse a vendedora Viviane Araújo.
Na rua Maria Marta Junqueira, Parque Dom Pedro, os estragos foram ainda maiores. A água que desceu por um terreno baldio arrombou a parede da sala e do quarto da casa do servidor público municipal Milton Dionízio.
Móveis, roupas e aparelhos eletrônicos foram destruídos. “Quando cheguei, estava tudo no chão. Não sobrou nada. A casa estava pelo ‘meio’ de água. Na hora, deu um desespero de choro. A gente já ganha pouco e acontece isto. Para construir de novo, vai ser uma dificuldade imensa”, disse o funcionário municipal que teve de passar a noite na casa de um filho.
Na avenida William Azzuz, na Vila Gosuen, a residência da dona de casa Sandra Maria de Oliveira Costa, 42, também foi invadida pela água, que destruiu móveis e subiu quase um metro. No início da chuva, a mulher estava com uma criança de três anos. Os vizinhos a socorreram. “A chuva veio, inundou tudo. Acabaram meus alimentos, roupas, foi tudo embora. Meu netinho, nem roupa, nem calçado para pôr tem mais. Os vizinhos me ajudaram. Na hora, eu só lembrei de catar meu netinho e sair correndo”, disse a dona de casa.
Por ironia do destino, Sandra se mudou para a casa na tarde de ontem. Antes, morava em um imóvel ao lado. Apesar de saber que a residência tem entrada inclinada e abaixo do nível da rua, ela não imaginava que a fatalidade pudesse acontecer. “Eu estava mudando para cá hoje (ontem), mas desisti. Não tem como”, disse. Ela ganhou abrigo na casa de uma vizinha.