08 de julho de 2026

Ministro volta às aulas


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Segundo a Constituição Federal, lei máxima do país, todos são iguais perante a lei, sem distinção de sexo, raça ou religião. Sabemos, porém, que na prática as coisas não funcionam bem assim.

Infelizmente, há muita distinção em nossa sociedade. Como somos filhos da história e frutos de todo um processo sócio-cultural, que não se cria ou se modifica de um dia para o outro, é possível dizer que nossa igualdade não é tão igual quanto parece nas linhas mais claras de nossa Carta maior.

Mas nem tudo é tão feio quanto parece. Se ainda há muitas nuvens negras pairando sobre nossa pretensão de igualdade, com certeza caminhamos para um céu mais azul de brigadeiro. É só olhar para a história que vamos facilmente perceber essa evolução. Em síntese, demos um salto fenomenal. De país escravocrata e coronelista, estamos aos poucos constituindo uma nação mais livre e democrática.

Agora, há uma classe de cidadãos que no Brasil parece acima de qualquer presunção de igualdade. E o pior é que parece gostar dessa distinção, agarrando-se a ela fortemente, com medo que a ordem republicana e democrática a desfaça em meras recordações históricas.

É a classe dos políticos. Em todos os níveis da federação. Por deterem ou participarem provisoriamente do controle do Estado, buscam ou perpetuar-se nesse poder ou tirar o máximo de privilégios enquanto lá estão. Se não posam como diferentes nem anunciam isso aos quatro cantos, acabam se fazendo nas entrelinhas que as facilidades do poder lhes reservam.

Nesse sentido, é emblemático o episódio recentemente protagonizado pelo ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Com mais de 30 pontos na carteira de motorista, ficou cerca de dois anos sem habilitação.

Nesse começo de janeiro, foi flagrado (ou fez uma bela jogada de marketing) pela reportagem do jornal Estado de São Paulo em uma Escola de Educação de Trânsito, em Brasília. Sorridente, o ministro se dispôs às fotos com muito bom humor.

A reação dos colegas, ao saberem que aquele homem discreto era um ministro do Estado, foi de reconhecimento em relação à eficiência da lei, pois se até um ministro estava fazendo o curso era porque realmente a ‘coisa’ estava funcionando.

Mas esse é o problema. Se todos são iguais perante a lei, o ministro não deveria ocupar a primeira página de um dos principais jornais do país. Ao que pese o exemplo de bom cidadão, cumpridor de seus deveres, esse destaque mostra também o quanto ainda estamos longe de uma igualdade constitucional plena.

Como o jornal geralmente traz o que é estranho às práticas cotidianas, podemos inferir que ministro cumprindo suas obrigações de cidadão ainda é um fato extraordinário no Brasil, por isso merecedor de uma capa. De qualquer forma, estamos melhorando.