Quem mora ou trabalha às margens da rodovia João Traficante, que liga Franca à Ibiraci (MG), está com medo. A população do local se tornou alvo de repetidos assaltos e reclama da falta de policiamento. Dois roubos registrados esta semana inflamaram a revolta dos moradores. “Estou pensando em parar. Tenho família. Às vezes, vou tomar um tiro de um vagabundo por nada”, disse José Paulo Ferreira Dias, 54, dono de um bar invadido na madrugada de ontem por uma dupla de bandidos armados com revólveres. Outra vítima dos assaltantes e refém do medo é a dona de casa Marisa Onofra Alves, 53. Sua chácara foi furtada cinco vezes nos últimos três anos. Só no ano passado, a família investiu R$ 30 mil em segurança. “Por enquanto, coloquei grades nas janelas e um alarme, que se entra acende a luz.’ Mas, apesar de todo este investimento, ela não confia na eficácia do sistema. “Quando eles (os ladrões) querem, eles entram. Não vira nada.”
Entre a noite de segunda e a madrugada de ontem, foram mais dois roubos registrados no Plantão. Os ataques acontecem desde o começo da estrada, no perímetro urbano de Franca, até o quilômetro 15, área mais povoada. Segundo a população do local, o medo é constante e a distância dificulta o acionamento da polícia.
Na noite de segunda, uma chácara na Estrada Nego Elói - próxima à rodovia - foi atacada por quatro bandidos, armados com pedras e revólver. Segundo o servente JAD, 51, os assaltantes chegaram atirando pedras na casa e ordenaram que ele se deitasse. Os bandidos levaram uma moto, que estava estacionada do lado de fora. A vítima disse que ouviu um disparo de arma de fogo. Os ladrões fugiram.
Por voltas das 2 horas, foi a vez de um bar às margens da rodovia João Traficante ser atacado por dois bandidos armados com revólveres. Segundo o comerciante José Paulo Ferreira Dias, 54, dono do estabelecimento, eles chegaram quando havia apenas oito pessoas no local. A vítima teve R$ 2 mil e sua Fiat Strada roubados. De clientes que estavam no bar, foram levados R$ 600 e dois celulares. Mais tarde, o carro do comerciante foi localizado pela polícia em uma plantação de soja, na rodovia Rionegro e Solimões - que liga Franca a Batatais.
MEDO
A dona de casa Letícia Rodrigues Lara, 19, moradora às margens da rodovia, aponta a falta de cobertura de operadoras de celular como maior perigo. “Há uma insegurança, há o medo porque aqui não pega celular, não pega telefone, aqui para comunicar com o pessoal de Franca, você escuta eles gaguejando e eles não escutam você. A linha fica muda de uma hora para outra.”
Dona de uma venda na João Traficante, a comerciante Elisabete Teles Borasque, 48, prefere a cautela para continuar sem sofrer. “Eu já abro cedo minha venda e 6 horas da tarde está fechada. Não fico à noite de jeito nenhum.” O cuidado dela está dando resultados. Há quatro anos no local, ela não foi assaltada.